...

Portal UMBU

Sandro Magalhães, Bárbara Carine e Ricardo Ishmael dialogam sobre políticas literárias na Bienal da Bahia

Foto: @nomadeagencia1

O diretor-geral da Fundação Pedro Calmon, Sandro Magalhães, destacou a importância do acesso ao livro e à literatura como direito fundamental durante participação no Café Literário promovido pelo Governo do Estado da Bahia, na quarta-feira (15), na Bienal do Livro Bahia 2026, em Salvador. O encontro teve como tema “Festas, feiras e festivais literários: Programa Bahia Literário” e contou também com a presença do jornalista Ricardo Ishmael e da escritora Bárbara Carine.

Durante sua fala, Magalhães relembrou a própria trajetória para ilustrar os desafios enfrentados por jovens das periferias no contato com a leitura. “Eu tive acesso ao livro e ao conhecimento a partir da música. Sou um jovem da periferia de Serrinha”, afirmou. Segundo ele, o hábito de ouvir discos em família foi determinante nesse processo: “Foi assim que conheci Caetano Veloso e, a partir dele, descobrimos nossos primeiros livros e a necessidade de ler.”

O gestor destacou que sua vivência reflete a realidade de muitos brasileiros. “Estou falando da experiência de um jovem de um determinado lugar, que pode ser semelhante à de muitos outros. Eu não tinha livros em casa”, disse. Ele lembrou que o acesso a obras literárias era limitado, restrito, em grande parte, a exemplares como a Bíblia e coleções populares de autores como Jorge Amado.

Para Magalhães, o direito à literatura ainda enfrenta barreiras no país. “O direito à literatura, o direito ao livro, ainda é um espaço em disputa”, declarou. Nesse contexto, ele ressaltou o papel da Fundação Pedro Calmon na ampliação do acesso à leitura, especialmente por meio de políticas públicas e projetos voltados à democratização do livro.

Entre as iniciativas citadas, está o projeto “Ler é Viver”, que, segundo o diretor, distribuiu milhares de obras de autores baianos. “No ano passado, fizemos com que 30 mil livros chegassem às mãos de jovens, sendo distribuídos em feiras literárias, nas periferias e em diversos outros projetos”, afirmou. Ele destacou ainda o impacto social dessas ações: “Esse jovem está chegando em casa com o livro, e o livro passa a ser um instrumento de convivência.”

Também participante do encontro, a escritora Bárbara Carine ressaltou a relação entre literatura e educação, destacando a diversidade de expressões culturais presentes na Bienal. “Tem a música, tem o slam, tem a contação de histórias. Tem essa dimensão da oralidade, tem a dimensão da escrita, tem muita coisa, muita cultura”, afirmou.

A autora compartilhou ainda uma experiência recente que evidenciou o impacto de sua obra no ambiente escolar. Ao visitar a Feira Literária de São Sebastião do Passé (FliPassé), ela relatou o envolvimento de estudantes com seus livros. “Eles leram meus livros”, disse. A recepção das crianças marcou a escritora: “Quando cheguei à cidade, assim meio à voada, procurando o pessoal da organização, as crianças começaram a me chamar, animadas.”

Apesar do reconhecimento, Bárbara destacou sua identidade como educadora. “Eu, que não sou artista, porque sou professora, não estou muito acostumada com isso”, afirmou, ao comentar a repercussão de seu trabalho.

O debate reforçou o papel da Bienal do Livro Bahia como espaço de articulação entre políticas públicas, produção literária e formação de leitores, reunindo gestores, autores e público em torno da valorização da leitura e da cultura no estado.

Inscrever-se
Notificar de
guest
0 Comentários
mais antigos
mais recentes Mais votado
Feedbacks embutidos
Ver todos os comentários

POSTS RELACIONADOS

plugins premium WordPress
Ir para o conteúdo