Projeto estreia na FLIGÊ, em Mucugê, e passa ainda por Boipeba e Cachoeira com apresentações, encontros e distribuição gratuita de exemplares

A palavra que nasceu da poesia vai percorrer diferentes territórios da Bahia. A multiartista baiana NegaFyah inicia, nos dias 15 e 16 de agosto, a circulação do projeto “Fyah: Do Ódio ao Amor – Palavra Viva em Territórios Baianos”, durante a FLIGÊ – Feira Literária de Mucugê, na Chapada Diamantina.
A iniciativa reúne literatura, performance e formação artística e terá como ponto de partida o livro “Fyah: Do Ódio ao Amor”, publicado em 2025 pelo Selo Malê e semifinalista do Prêmio Oceanos de Literatura. A obra também deu origem ao espetáculo homônimo, apresentado pela primeira vez em 2024.
Depois de Mucugê, o projeto segue para a FLIPEBA – Festa Literária de Boipeba, em 4 de setembro, e chega a Cachoeira, no Recôncavo Baiano, nos dias 6 e 7 de novembro. Em cada território, a programação contará com apresentações e encontros com o público, além da distribuição gratuita de dez exemplares do livro.
A proposta é ampliar o acesso à produção literária de uma mulher negra baiana e fazer com que a obra alcance diferentes espaços, como escolas, bibliotecas, comunidades e eventos literários. “Esse projeto nasce do desejo de fazer a palavra atravessar a Bahia. Quero que o livro seja lido, ouvido e vivido por pessoas de diferentes territórios. O espetáculo amplia essa experiência, porque transforma a leitura em corpo, voz e presença. Fala sobre o genocídio da população negra, sobre as violências que atravessam nossos corpos, mas também sobre o amor como força coletiva de sobrevivência, sustentado pela ancestralidade, pelo axé e pela comunidade”, afirma NegaFyah.
Livro de estreia da artista, “Fyah: Do Ódio ao Amor” reúne poemas e contos atravessados pela tradição oral afro-diaspórica e por referências musicais que fazem parte da formação da autora. A obra aborda temas como memória, racismo, religiosidade afro-brasileira, afetividade e resistência.
As narrativas também apresentam personagens e paisagens das periferias baianas, destacando relações de solidariedade diante de contextos marcados pela desigualdade e pela ausência de políticas públicas. Os contos ampliam o universo inicialmente construído pela poesia e apontam para novas possibilidades na trajetória literária da autora.
A circulação também pretende fortalecer a presença da literatura produzida na Bahia em diferentes espaços culturais. “Publicar um livro é apenas parte da caminhada. É preciso fazê-lo chegar às pessoas. Esse projeto fortalece a distribuição da obra, cria novos leitores e também aproxima meu trabalho de curadores, programadores e festivais, permitindo que essa escrita continue encontrando novos caminhos”, destaca a escritora.
Poeta, slammer, atriz, performer, escritora, produtora cultural e educadora, NegaFyah desenvolve uma trajetória em que literatura e cena se encontram. A artista é fundadora do Slam das Minas Bahia, foi vice-campeã mundial de poesia falada e integra a Companhia Encruzilhada.
Atualmente, atua como agente cultural na Escola de Dança da Fundação Cultural do Estado da Bahia (Funceb), onde desenvolve ações que aproximam literatura, performance e juventude.
Para ela, a circulação também representa uma oportunidade de formação e troca com os públicos dos territórios visitados. “Se a arte transformou a minha infância e a minha adolescência, acredito profundamente que ela também pode transformar outras vidas. Cada encontro desta circulação é pensado como um espaço de troca, de escuta e de criação. Imaginar também é um ato político, e acredito que a literatura tem a capacidade de abrir caminhos para que outras pessoas possam sonhar novas possibilidades para si e para o mundo”, ressalta.
O conceito de Palavra Viva que dá nome ao projeto está relacionado à compreensão da palavra como instrumento de criação, memória e transformação. A iniciativa parte de referências das cosmologias afro-brasileiras para defender a literatura e a oralidade como formas de preservação de histórias e construção de novos imaginários.
Para NegaFyah, a circulação representa uma etapa de uma trajetória que ainda deve alcançar outros territórios. “Acredito que Fyah: Do Ódio ao Amor ainda está no início de sua caminhada. É um livro que continua vivo, que deseja atravessar novas cidades, outros estados e também outros países. Sua história não termina com a publicação; ela continua em cada leitura, em cada espetáculo, em cada oficina e em cada pessoa que encontra nessas palavras um lugar de identificação.”
O projeto “Fyah: Do Ódio ao Amor – Palavra Viva em Territórios Baianos” foi contemplado nos editais da Política Nacional Aldir Blanc Bahia e conta com apoio financeiro do Estado da Bahia, por meio da Secretaria de Cultura, com recursos direcionados pelo Ministério da Cultura e pelo Governo Federal.
Serviço
O quê: Circulação literária “Fyah: Do Ódio ao Amor – Palavra Viva em Territórios Baianos”
Quanto: gratuito, conforme a programação de cada festival
Informações: @negafyah
FLIGÊ – Feira Literária de Mucugê
Datas: 15 e 16 de agosto de 2026
Local: Mucugê, Chapada Diamantina
FLIPEBA – Festa Literária de Boipeba
Data: 4 de setembro de 2026
Local: Ilha de Boipeba, município de Cairu
Cachoeira – Recôncavo Baiano
Datas: 6 e 7 de novembro de 2026
Local: Cachoeira


