Terreiro reconhecido como patrimônio cultural brasileiro pelo Iphan promove programação gratuita neste sábado (15), na Federação

A Casa de Oxumarê, um dos mais antigos terreiros de Candomblé do Brasil, celebra 190 anos de história neste sábado (15), com uma programação especial na Federação, em Salvador. A partir das 8h, autoridades, lideranças religiosas, pesquisadores e representantes da cultura participam das atividades que marcam quase dois séculos de preservação da ancestralidade afro-brasileira.
Reconhecida como patrimônio cultural brasileiro pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), a Casa de Oxumarê foi fundada em 1836. Ao longo de sua trajetória, manteve conhecimentos, rituais e tradições de matriz africana mesmo diante de períodos de perseguição religiosa e racismo contra essas comunidades.
A programação comemorativa começa pela manhã com uma cerimônia cívica que terá a participação da ministra da Cultura, Margareth Menezes. Também são esperadas outras autoridades, entre elas o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues.
Durante a cerimônia, a Casa de Oxumarê receberá o título honorífico de “Promotora da Igualdade Racial”, concedido pelo Ministério da Igualdade Racial (MIR). A honraria reconhece a atuação do terreiro na preservação da ancestralidade africana, na valorização da cultura afro-brasileira e no enfrentamento ao racismo religioso.
O evento contará ainda com a participação da Polícia Militar da Bahia no hasteamento das bandeiras e com pronunciamentos institucionais.
Outro momento de destaque será o lançamento e a obliteração do primeiro selo da série filatélica “Patrimônios Negros do Brasil”, dos Correios. A primeira emissão da série tem como tema “Patrimônio e Ancestralidade Religiosa” e homenageia os 190 anos do Ilê Axé Oxumarê.
Com a mensagem “Toda casa centenária já foi uma pequena comunidade”, a emissão reconhece as casas tradicionais de matriz africana como patrimônios vivos e espaços de preservação da memória, da ancestralidade e da diversidade cultural brasileira.
A cerimônia contará com representantes do Ministério das Comunicações, dos Correios, da Fundação Cultural Palmares e de instituições ligadas à cultura e à promoção da igualdade racial.
O selo ficará disponível para comercialização nas agências dos Correios pelos próximos cinco anos.
A programação dos 190 anos da Casa de Oxumarê também marca os 60 anos de iniciação de Sivanilton da Encarnação da Mata, Babá Pecê de Oxumarê.Ao longo de seis décadas, o babalorixá atuou na preservação dos fundamentos religiosos, dos saberes tradicionais e da memória do terreiro.
Sua trajetória também envolveu iniciativas de diálogo entre a Casa de Oxumarê, pesquisadores, universidades e instituições públicas em temas como patrimônio cultural, ancestralidade, liberdade religiosa e combate ao racismo religioso.“Essa dupla celebração representa a continuidade de uma tradição transmitida entre gerações e evidencia como a história de uma liderança pode se entrelaçar à memória de um patrimônio cultural”, afirma Babá Pecê.
A partir das 20h, a Casa de Oxumarê abre as portas para o Ajodún, celebração dedicada aos Òrìṣàs e aos 190 anos do terreiro. A cerimônia também integra as homenagens pelos 60 anos de iniciação de Babá Pecê. Toda a programação é gratuita e aberta ao público.
Serviço
Festa de Oxumarê – 190 anos da Casa de Oxumarê
Quando: sábado (15 de agosto)
Onde: Casa de Oxumarê – Ilé Òṣùmàrè Arákà Àṣẹ Ògòdó
Endereço: Avenida Vasco da Gama, nº 343, 2ª Travessa Pedro Gama de Baixo, nº 65, Federação, Salvador
Entrada: gratuita e aberta ao público
Programação:
- 8h: chegada de autoridades e convidados, apresentação da Banda da Polícia Militar e hasteamento das bandeiras;
- 9h30: lançamento e obliteração do primeiro selo da série “Patrimônios Negros do Brasil”;
- 10h: encerramento da cerimônia;
- 20h: Ajodún em celebração aos Òrìṣàs, aos 190 anos da Casa de Oxumarê e aos 60 anos de iniciação de Babá Pecê.


