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3ª Mostra Etnomídia Indígena chega a Salvador com exposição e atividades sobre arte e manifestações estéticas dos povos originários

3° Mostra Etnomidia – Festival de Impressos, Etapa São Paulo | Foto: Reprodução/Flickr

Salvador recebe, a partir do dia 9 de julho, a 3ª Mostra Etnomídia Indígena, que nesta edição traz como tema o “Festival de Impressos Indígenas”. O evento será realizado no Museu de Arte Contemporânea da Bahia (MAC Bahia), onde permanecerá em cartaz até 9 de agosto, reunindo exposições, debates, oficinas e atividades voltadas à valorização da produção artística e intelectual dos povos originários.

Com entrada gratuita, a mostra foi contemplada pela Seleção Petrobras Cultural, por meio da Lei Rouanet, e é produzida pela Oráculo Comunicação, Educação e Cultura. A abertura está marcada para as 16h do dia 9 de julho, com um bate-papo entre os artistas Thiago Tupinambá e Libério Uiagumeareu, mediado pela coordenadora-geral do projeto, Naine Terena.

Nesta edição, a proposta do festival parte dos conceitos de “impressos” e “impressões” para refletir sobre as manifestações estéticas indígenas contemporâneas. A programação reúne obras de literatura, moda, artes visuais e outras expressões culturais, entendidas como registros vivos das memórias, dos territórios e das cosmologias dos diferentes povos indígenas.

Um dos destaques da exposição é o painel “Jegua Marangatu” (Grafismo Sagrado), criado pelos artistas Miguela Moura e Edson Benites. A obra foi concebida a convite da coordenadora Naine Terena e do curador Gustavo Caboco e utiliza grafismos sagrados do povo Guarani para representar conceitos ligados ao encontro, à sabedoria e à transformação.

Segundo Miguela Moura, a obra propõe uma reflexão sobre a forma como museus e galerias compreendem a produção artística indígena. “Acredito muito que cada vez mais os espaços artísticos, como as galerias e os museus, incorporem essa responsabilidade de apresentar a arte indígena como uma forma de linguagem”, afirma a artista.

Ela explica que os grafismos utilizados no painel funcionam como formas de comunicação e carregam significados que vão além da linguagem verbal. “Queremos dizer que temos, sim, as nossas formas de comunicar, de se colocar no mundo e de entender o mundo, para além dessa visão tão racionalizada que a academia das artes impõe”, destaca.

Além do núcleo expositivo, a mostra contará com uma feira de publicações indígenas, reunindo livros, impressos e produções gráficas de diferentes povos. Durante todo o evento, a Livraria Maracá disponibilizará mais de 20 títulos escritos por autores indígenas, além de postais, camisetas e lambes de artistas como Daniel Munduruku, Auá Mendes e Patrícia Kamayurá.

O conceito expográfico da mostra também dialoga com a organização social dos povos originários. O espaço foi projetado para reproduzir a estrutura de uma aldeia do povo Boe Bororo, criando um ambiente denominado “Pa Muga”, pensado como um espaço de encontro entre indígenas e não indígenas dentro do museu.

A programação inclui ainda atividades de formação profissional voltadas ao mercado das artes. No dia 10 de julho, será realizada a oficina “Comunicação para Vendas e Posicionamento de Produtos Indígenas”, ministrada pelo jornalista Jhonatã Gabriel. Já no dia 11, o crítico de artes visuais João Victor Guimarães conduzirá o aulão “Em prol da permanência, uma reflexão sobre mercado”, seguido de um debate sobre precificação de obras indígenas. Confira as atividades clicando aqui.

Entre os artistas e coletivos participantes estão ainda o Coletivo REMBYAPÓ, formado por Ara Guarani, Sônia Guarani e Claudiomiro Guarani, o artista plástico Isaías Miliano, das etnias Macuxi e Patamona, e o Coletivo Ijã Mytyli de Cinema Manoki e Myky, de Mato Grosso, que utiliza o audiovisual para narrar histórias ancestrais sob o olhar das novas gerações.

A organização destaca que a Mostra Etnomídia Indígena busca ampliar o espaço de circulação da produção artística indígena e estimular reflexões sobre as formas de expressão, memória e resistência dos povos originários no Brasil contemporâneo. Para participar das atividades educativas da mostra, é necessário realizar inscrição por meio de formulário online que está disponível clicando aqui.

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