Evento no Sambódromo do Anhembi reúne 15 mil pessoas e anuncia ampliação de cursinhos populares e Escola Nacional de Hip-Hop.

Foto: Ricardo Stuckert / PR
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou, nesta terça-feira (31), em São Paulo, de evento que marcou os 21 anos do Programa Universidade para Todos (Prouni), os 14 anos da Lei de Cotas nas universidades federais (Lei nº 12.711/2012) e os 10 anos da primeira turma de cotistas. Realizado no Sambódromo do Anhembi, o encontro reuniu cerca de 15 mil pessoas, incluindo estudantes, beneficiários de políticas afirmativas, jovens de cursinhos populares e representantes de movimentos sociais. A data dialoga com o Dia Internacional para a Eliminação da Discriminação Racial (21 de março).
“Não há muro, não há cerca quando a gente tem um governo que abre as portas e abre o espaço para que vocês coloquem pra fora aquilo que vocês querem ser. O que nós fizemos foi apenas dar oportunidade. O que vocês fizeram foi provar que dando e tendo oportunidade, qualquer um desse país pode chegar aonde quiser”, destacou Lula.
Jovens transformados pelo Prouni e cotas foram apresentados, como a médica quilombola Marina da Silva Barbosa, formada na Universidade Federal da Bahia (UFBA), e o diplomata Douglas Rocha Almeida. “Para toda a meninada que me assiste, eu diria que perseverança não tem classe social. Todos nós podemos perseverar. Hoje, eu sou diplomata brasileiro, minha mãe recebeu Bolsa Família, eu fui oriundo do Prouni e, por conta dele, o meu pai, pedreiro, minha mãe, diarista, hoje têm um filho diplomata”, declarou Almeida.
“Graças à oportunidade que o governo me deu, hoje eu posso dizer: eu sou doutora, formada na faculdade de medicina da Universidade Federal da Bahia. Se eu consegui, vocês também conseguem. Vamos honrar as cotas, porque a cara das universidades mudou”, afirmou Barbosa.
Para Lula, essas trajetórias comprovam os efeitos de priorizar a educação: “A Marina, o Douglas, a Jaira e a Diana mostraram que valeu a pena a gente acreditar na educação. Isso tudo é resultado de uma decisão política. Toda e qualquer criança, homem e mulher, de qualquer cor, de qualquer religião, tem o direito de fazer universidade e ser doutor nesse país. Hoje é um dia em que nós estamos agradecendo a vocês por vocês existirem e por fazerem a gente ter certeza que a gente está certo quando a gente acredita”.
O ministro Camilo Santana (Educação) apresentou dados: Prouni registrou mais de 27,1 milhões de inscritos em 21 anos, com 7,7 milhões de bolsas ofertadas e 3,6 milhões ocupadas até 2025 (1,5 milhão de diplomados). De 2023 a 2026, foram 2,3 milhões de bolsas, recorde de 594.519 na edição de 2026. Sisu ingressou 790.177 cotistas desde 2013 (307.545 de 2023-2026, 39%). Fies ofertou 330 mil vagas no período, com Fies Social reservando 50% para CadÚnico (renda até meio salário mínimo) e cotas raciais.
Anúncios incluem ampliação da Rede de Cursinhos Populares (CPOP) para 800 cursinhos (investimento de R$ 290 milhões, ante 514 com R$ 108 milhões) e criação da Escola Nacional de Hip-Hop (H2E), com R$ 50 milhões em 2026-2027. A H2E integra saberes acadêmicos e hip-hop nas redes públicas, apoiando Lei nº 10.639/2003 (história afro-brasileira).
Fernando Haddad relatou a origem do Prouni: “A minha esposa Ana Estela recebeu uma carta de uma mãe que estava pagando o Fies de um filho que já tinha falecido, que tinha morrido. E ela, que era pobre, precisando honrar o nome do filho, trabalhava para pagar o financiamento de um curso que não podia ser mais concluído, porque o filho dela tinha partido. E foi a partir dessa carta que eu e a Ana Estela começamos a trabalhar naquilo que viria a ser o Prouni, que tem uma fórmula de distribuição de vagas entre negros e brancos, que deu a inspiração para fazer o Sisu e o projeto de cotas”.
Anielle Franco destacou: “Tenho a honra de dizer que entrei na universidade pública por cotas, sim. Tenho a honra de dizer que entrei no mestrado e no doutorado por cotas, filha de uma diarista, uma mulher nordestina da favela da Maré. Se não fossem as cotas raciais na minha vida, eu não seria o que sou”.
“Em 2026, presidente, o senhor realizou o maior Sisu da história desse país. Em 2026, nós fizemos o maior Prouni da história: 594 mil bolsas. É a principal porta de acesso dos jovens à universidade. O senhor criou nesse seu terceiro governo o Fies Social. Implementou as cotas no Fies e garantiu que mais jovens pudessem ter oportunidade. Nós mudamos a Lei de Cotas para incluir os alunos quilombolas na nova lei”, ressaltou Camilo Santana.



