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Revista Afirmativa promove oficina sobre narrativas e revitimização de mulheres negras em notícias de feminicídio

A atividade integra a agenda coletiva da 8º edição do Março de Lutas, que traz o mote “Seguimos em Marcha pela Vida das Mulheres Negras”

Imagem: Cláudia Ferreira

Estão abertas as inscrições para a oficina “Construindo narrativas contra a revitimização de mulheres negras em notícias de feminicídio”, realizada pela Revista Afirmativa. A atividade é voltada a jornalistas, comunicadoras, ativistas e estudantes negras de todo o Brasil e será realizada no dia 24 de março, das 18h às 21h, de forma remota, por meio do Google Meet.

Segundo dados do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), do Ministério da Justiça e Segurança Pública, 1.470 mulheres foram vítimas de feminicídio no Brasil em 2025. A pesquisa “Quem são as Mulheres que o Brasil não protege”, da Fundação Friedrich Ebert no Brasil, revela ainda que 68% das vítimas são mulheres negras.

A atividade nasce da constatação de que mulheres negras vítimas desses crimes são frequentemente revitimizadas por narrativas presentes na mídia hegemônica e em noticiários sensacionalistas, que desrespeitam sua memória e seus corpos. 

“São violências que aparecem tanto escancaradas, quanto de forma sutil na escolha das palavras e na abordagem desses casos. É fundamental identificar esses discursos, entender de que forma eles operam e disputar outras formas de contar essas histórias”, afirma Jamile Novaes,  jornalista da Afirmativa, e uma das facilitadoras  da oficina.

A proposta da atividade é refletir e debater a construção dessas narrativas, tendo como referência a produção comunicacional do movimento de mulheres negras. O objetivo é que as participantes consigam identificar e romper com discursos violentos, além de produzir novos sentidos sobre o tema.

“Para nós, comunicadoras e jornalistas negras, é necessário refletir e elaborar novas maneiras de abordar as questões que nos afligem. Reproduzir modelos já existentes de narrativas significa repetir padrões negativos e estereotipados que ferem a história e a memória de mulheres negras”, comenta Luana Miranda, jornalista da Revista Afirmativa também à frente  da oficina.

As inscrições são gratuitas e podem ser feitas até 20 de março, por meio do formulário disponível aqui. As participantes inscritas receberão o link de acesso à sala virtual com um dia de antecedência.

A oficina integra a agenda coletiva da 8ª edição do Março de Lutas, que tem como tema “Seguimos em Marcha pela Vida das Mulheres Negras” e faz um chamado para que as organizações de mulheres negras sigam se articulando e fortalecendo as discussões em torno da Reparação e do Bem Viver.

Sobre o Março de Lutas

O Março de Lutas é uma estratégia de incidência política criada em 2019, pelo Odara – Instituto da Mulher Negra, com objetivo de denunciar o racismo patriarcal que vitimiza as mulheres negras, além de demarcar o protagonismo do Movimento de Mulheres Negras na luta por melhores condições de vida para toda a sociedade brasileira.

Atualmente, a agenda é organizada pela Articulação de Organizações de Mulheres Negras Brasileiras (AMNB)Rede de Mulheres Negras do Nordeste e Rede Fulanas – Negras da Amazônia Brasileira, e convoca para a denúncia e enfrentamento das violações de direitos humanos protagonizadas pelo Estado brasileiro, sobretudo no que diz respeito à violência doméstica, feminicídio, racismo religioso e violência política.

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