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Marina Brito: conheça a ialorixá que levantou o seu terreiro aos 29 anos

A sacerdotisa compartilha textos baseados nos ensinamentos dos orixás em suas redes sociais e mostra a humanidade por trás do sacerdócio

Foto: Divulgação

“É na dor que Ogun também me cuida”; esse é o mote de um dos reels mais visualizados no Instagram @‌umamaedeogun, de Mariana Brito, ialorixá soteropolitana. Com mais de 420 mil visualizações, o vídeo segue o estilo de outros compartilhados pela sacerdotisa, que traz reflexões baseadas nos ensinamentos dos orixás, e os compartilha semanalmente, buscando elucidar ideias equivocadas e preconceituosas sobre as divindades.

Mariana recebeu seu chamado para ser mãe de santo aos 28 anos. Logo depois, aos 29, começou a empreitada para a construção do ‘Terreiro de Ogun’, espaço religioso em Salvador, que tem sido construído com garra, dedicação e esforço. Além da ajuda de pessoas, ela chegou a empreender para poder arcar com os custos da construção. “Mesmo com as dificuldades, eu me esforço para levantar o Terreiro do meu santo. É o mínimo que posso fazer, pois ele me deu o sopro de vida”, ressalta a ialorixá.

Com mais de 18 mil seguidores nas redes sociais, a sacerdotisa também busca mostrar um lado mais humanizado do sacerdócio, utilizando expressões populares que dialogam com seu público. “Gosto de ensinar aos meus filhos que o orixá carrega a gente no colo e mostra o caminho. Quando a gente não aprende, não entende ou persiste, ele tira a mão e nos faz usar o famoso livre arbítrio”, comenta.

Formada em Música e Artes Cênicas, foi iniciada no candomblé aos 21 anos, no momento da faculdade. Designada a cuidar de pessoas, ela acolhe e zela por filhas e filhos de santo, desde 2020. Na função de erguer o espaço sagrado, Mariana compartilha e festeja cada etapa da obra. “O Terreiro de Ogun já está com muro pintado, portão no lugar e chaves na mão. Mas precisa da compra de materiais como telhas e vigas de ferro do barracão. Não sei como virão, mas tenho fé que vão chegar e, finalmente, poderei abrir a Casa”, reforça.

Uma das maneiras de conseguir arrecadar dinheiro para a construção, é por meio da assinatura de conteúdos exclusivos no Instagram, além do atendimento por consultas individuais. Até a abertura do Terreiro, Mariana segue compartilhando conhecimento ancestral com o propósito de manter a existência e mostrar a pluralidade do candomblé, aconselhando que “em um mundo de tantas vaidades, inclusive a nossa, ouvir o nosso santo é um ato de sabedoria”.

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