
Mais de 60% dos casos de câncer colorretal são diagnosticados em estágio avançado, quando o tumor já pode ter provocado metástases. O alerta ganha destaque durante o Setembro Verde, campanha de conscientização sobre a doença, que é o terceiro tipo de câncer mais comum no Brasil. Segundo estimativa do Instituto Nacional do Câncer (Inca), o país deve registrar 53.810 novos casos em 2026.
Na Bahia, a previsão é de 2.170 novos diagnósticos neste ano, sendo 590 em Salvador. O câncer colorretal engloba tumores que se desenvolvem no cólon e no reto e pode estar relacionado a fatores como obesidade, sedentarismo, alimentação inadequada, consumo frequente de alimentos ultraprocessados, ingestão excessiva de bebidas alcoólicas e tabagismo.
Além dos hábitos de vida, o histórico familiar da doença, inflamações intestinais crônicas e a presença de pólipos no intestino também podem aumentar o risco. Segundo o oncologista Eduardo Moraes, da Oncoclínicas, a atenção a esses fatores é importante para identificar pessoas que necessitam de acompanhamento mais próximo.
“Além do estilo de vida, fatores como histórico familiar, inflamações intestinais crônicas e presença de pólipos no intestino também elevam o risco para o câncer colorretal”, explica.
O oncologista Bruno Protásio, também da Oncoclínicas, destaca a importância de campanhas de conscientização sobre fatores de risco que podem ser modificados. “Campanhas como o Setembro Verde para conscientização da população sobre a importância de um estilo de vida mais saudável são fundamentais, uma vez que o câncer colorretal está associado a hábitos modificáveis”, afirma.
A colonoscopia é considerada uma das principais ferramentas para o rastreamento da doença. O exame permite visualizar o intestino grosso, incluindo cólon e reto, e identificar lesões como pólipos, que podem ser removidos durante o próprio procedimento. Cerca de 90% dos casos de câncer colorretal têm origem em pólipos.
Para pessoas sem sintomas e sem fatores de risco, a recomendação apresentada pelos especialistas é que o primeiro exame seja realizado entre os 45 e 50 anos. A repetição pode ocorrer a cada cinco ou dez anos, conforme a avaliação médica.
“O exame deve ser realizado, pela primeira vez, entre os 45 a 50 anos, e repetido a cada cinco ou dez anos, de acordo com a indicação médica”, orienta a oncologista Maria Cecília Mathias.
Em casos de histórico familiar de câncer de intestino ou pólipos, além de doenças inflamatórias intestinais, o acompanhamento deve ser individualizado. Nessas situações, o rastreamento pode começar antes dos 45 anos e ser realizado em intervalos menores, conforme orientação do especialista.
A oncologista Mônica Kalile chama atenção para o caráter silencioso da doença. “A doença costuma evoluir silenciosamente e, muitas vezes, os sintomas só se manifestam quando o tumor já está em fase mais avançada, o que acaba levando a diagnósticos tardios”, afirma. Segundo ela, quando identificado precocemente, o câncer colorretal pode apresentar mais de 90% de possibilidade de cura.
Entre os sinais que devem ser investigados estão mudanças no hábito intestinal, como diarreia ou constipação, alterações no apetite, anemia, sangue nas fezes, fraqueza, perda de peso sem causa aparente, desconforto ou dor abdominal.
A presença desses sintomas, no entanto, não significa necessariamente que a pessoa tenha câncer. Ainda assim, a orientação é procurar avaliação médica para investigar a causa e, quando necessário, realizar os exames indicados.
Para o oncologista Marco Lessa, a prevenção envolve tanto mudanças no estilo de vida quanto o acompanhamento médico. “A prevenção primária através da adoção de alimentação saudável, controle do peso e atividade física é uma enorme aliada na luta contra o câncer colorretal, assim como o acompanhamento médico e os exames de rastreamento, quando indicados”, afirma.



