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Samba junino é símbolo de resistência cultural em Salvador

Foto: Raul Spinassé/Folhapress

Se alguém tivesse que responder qual ritmo musical é a cara do mês de junho, provavelmente diria “forró”, já que é o gênero que mais embala as quadrilhas e toca quase que como música ambiente pelas ruas nesse período. Mas há uma outra resposta que carrega consigo tanta história e significado quanto a primeira: o samba junino.

Manifestação cultural ligada ao candomblé e às festas de caboclo, o samba junino é um subgênero musical completamente soteropolitano, surgido em meados da década de 1970 e unindo elementos do samba tradicional com elementos próprios das celebrações do mês de junho.

Com raízes em bairros como Engenho Velho de Brotas, Garcia e Nordeste de Amaralina, o samba junino traz, entre os principais instrumentos, o timbal, a marcação e o tamborim. Já as letras, fazem reverências aos santos do mês, como São João e São Pedro, além dos costumes do período, negritude e jogos de palavras.

Quem escolheu o Pelourinho para aproveitar o São João da Bahia, já se deparou com grupos e trios que marcaram presença como atrações itinerantes com apresentações de samba junino no Centro Histórico.

Com destaque para os anos 1970 e 1980, o samba junino tem ainda a vertente do samba duro e foi homenageado no carnaval deste ano pelo clássico bloco Alvorada, além de ser o mote do grupo Samba do Morro e do Cajarriê. Na capital baiana, hoje se destacam como mantenedores a mestra Jacira Bafafé e os mestres Lobo Mall, Seu Flôr, Augusto Conceição, recentemente selecionados através do edital Prêmio Samba Junino – Ano VI, da Fundação Gregório de Mattos (FGM).

O samba junino se tornou patrimônio imaterial e cultural de Salvador em 2018 e, de acordo com a FGM, Salvador tinha cerca de 60 grupos de samba junino, em 2023, espalhados em diversos bairros como Engenho Velho de Brotas, Garcia, Tororó, Nordeste de Amaralina e Federação.

Ainda conforme a Fundação Gregório de Mattos, os grupos costumam se apresentar em homenagem a São João e São Pedro, marcando ainda mais sua presença nos dias 23, 24, 28 e 29 de junho na preservação dessa tradição cultural das festas juninas.

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