Levantamento da CNI aponta que seis em cada dez indústrias já adotam práticas de economia circular; setor movimentou R$ 2 bilhões em 2024 e contribuiu para redução de 1,83 milhão de toneladas de CO₂

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A economia circular ganhou escala no Brasil e se consolidou como agenda estratégica para o setor industrial. Segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), seis em cada dez indústrias brasileiras já adotam práticas de economia circular, com destaque para a reciclagem. O avanço é impulsionado por pressão regulatória, amadurecimento técnico da cadeia e crescimento da demanda corporativa por soluções sustentáveis.
Dados do Anuário da Reciclagem 2025, publicado pelo Instituto Caminhos Sustentáveis (ICS), reforçam o movimento: o número de organizações de catadores cresceu 69% entre 2019 e 2024. Em 2024, o setor movimentou mais de R$ 2 bilhões e contribuiu para a redução potencial de 1,83 milhão de toneladas de CO₂ equivalente.
Na indústria petroquímica, a Braskem tem estruturado sua atuação em circularidade por meio de frentes complementares. O ecossistema Wenew reúne investimentos em reciclagem mecânica e química, desenvolvimento de resinas recicladas pós-consumo (PCR) e ações de fortalecimento da cadeia. Em 2024, a companhia comercializou cerca de 85 mil toneladas de resinas com conteúdo reciclado. Pelo lado da recuperação, em 2025 foram retiradas mais de 41 mil toneladas de resíduos plásticos por meio de reciclagem e iniciativas com consumidores.
O programa Ser+, voltado à profissionalização de cooperativas, beneficiou 679 catadores e apoiou 23 cooperativas em 2025, com mais de R$ 1 milhão investidos em infraestrutura e capacitação. O resultado foi a triagem de mais de 3.868 toneladas de plástico.
Yuri Tomina, líder de Economia Circular da Braskem na América do Sul, afirma que a escala da reciclagem no país depende da coordenação entre todos os elos do ciclo de vida do produto. “Esse processo começa no design das embalagens, porque as decisões tomadas nesta etapa influenciam diretamente a reciclabilidade, a eficiência da triagem e o potencial de reaplicação do material.”
Parcerias com Electrolux Group e Mondial, no setor de eletrodomésticos, e com a Kimberly-Clark, que adotou cerca de 20% de resina pós-consumo em embalagens de produtos de cuidado pessoal, comprovam a viabilidade técnica do PCR em larga escala. Tereza Montenegro, presidente da Cooperativa Viva Bem, participante do programa Ser+, destaca que o desafio ainda é a complexidade de determinadas embalagens. “Hoje realizamos uma separação qualificada em mais de 30 tipos de materiais para garantir valor ao mercado. O grande desafio ainda é a complexidade de determinadas embalagens, que dificultam a reciclagem e aumentam o volume de rejeitos.”
Segundo o Anuário da Reciclagem 2025, o plástico representa em média 42% do volume e 55% do faturamento das cooperativas, o que reforça a importância de iniciativas como o Cazoolo, laboratório de design de embalagens circulares focado em criar embalagens prontas para reciclagem desde a concepção.



