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POLICIAIS CIVIS AMEAÇAM QUILOMBOLAS PARA RETOMAR TERRITÓRIO

Reportagem do The Intercept Brasil mostra que moradores da comunidade Riacho Santo Antônio-Jitaí, no litoral norte da Bahia, relatam ameaças com facão e picareta

Uma reportagem da agência de notícias, The Intercept Brasil, denuncia que polícias civis estão ameaçando por cerca de 14 anos quilombolas. Os profissionais estão envolvidos em uma ação de reintegração de posse, onde os moradores da comunidade Riacho Santo Antônio-Jitaí, no litoral norte da Bahia, relatam ameaças com facão e picareta.

De acordo com a denúncia dos moradores, os policiais tentaram levantar uma cerca para delimitar o terreno. Um dos agentes teria admitido estar a serviço de um grande empresário da região. Os moradores gravaram vídeos no celular durante as abordagens dos policiais. Confira o vídeo:

Nos registros gravados por um dos moradores, é possível ver o momento em que os agentes chegam ao local acompanhados de um oficial de justiça. Nesse momento, um dos policiais tenta impedir a gravação:“Quando você filma, seu celular pode ser apreendido como prova na delegacia”, ameaçou.

O empresário defendido pelos policiais é Paulo Roberto de Souza, que afirma ser dono, há 30 anos, das fazendas Riacho das Flores, Rozarinho e Bosque do Araken, todas situadas no município de Mata de São João, a cerca de 62 KM de Salvador.

Em 2009, o empresário entrou na justiça contra Germano e Domingos de Oliveira, dois quilombolas, exigindo que eles e suas famílias saíssem das terras que afirmava serem suas. Ainda em 2009, um juiz da comarca de Mata de São João deu uma liminar autorizando a reintegração de posse em favor do empresário.

A reportagem do The Intercept Brasil procurou a Polícia Civil da Bahia, que não identificou os policiais que aparecem nas imagens ameaçando os quilombolas. Em nota, a corporação disse que apura a conduta dos agentes envolvidos na corregedoria. E que as imagens feitas em vídeo, depoimentos e demais elementos “serão analisados para o esclarecimento do caso”. A Polícia Civil disse ainda que prioriza o preparo dos servidores, além de prezar “pelo compromisso com a ética e o equilíbrio social”.

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