
Foto: Bruno Concha / Secom PMS
Iniciativa da Prefeitura de Salvador e Instituto Carlinhos Brown busca reverter deterioração urbana e garantir o protagonismo dos moradores na requalificação da região.
Foi apresentado nesta terça-feira (4) o Plano do Pilar, um conjunto de diretrizes para a requalificação urbana e social da comunidade homônima, localizada no Centro Histórico de Salvador. A proposta, desenvolvida pela Fundação Mário Leal Ferreira (FMLF) em parceria com o Instituto Carlinhos Brown, visa a reocupação de casarões e o fortalecimento da economia local.
A região, que abriga 462 moradores – majoritariamente negros e com mulheres como chefes de família –, enfrenta um forte processo de deterioração. O plano propõe o reaproveitamento de imóveis desocupados ou em ruínas para reassentar famílias em situação de risco, ação que será integrada ao Programa PAC Cidades Históricas. A criação de áreas verdes e espaços de convivência também está entre as prioridades, atendendo a um pedido direto da comunidade.
O projeto entende que a revitalização só é sustentável com inclusão. Para Alan Muniz, diretor da Prefeitura-Bairro, o plano se destaca por identificar o potencial socioeconômico das famílias. “Não adianta entregar moradia se a pessoa não tiver condições de sustento”, lembrou. A ideia é criar condições para que filhos de baianas de acarajé, capoeiristas e músicos possam se desenvolver no local onde vivem.
Carlinhos Brown, que mantém o Museu du Ritmo na área desde 2001, reforçou que “não se faz cultura isoladamente” e que o desenvolvimento precisa vir acompanhado de dignidade. A visão cultural é apoiada por um novo aporte financeiro: foi confirmada a aprovação do Programa BID III, que garantirá 40 milhões de dólares para investimentos na requalificação do Centro Histórico.
O plano não estabelece uma data final para sua conclusão, mas organiza as ações de forma progressiva, com medidas de curto, médio e longo prazos, começando com intervenções emergenciais de limpeza e mitigação de riscos.



