O repertório da apresentação contou com obras de compositores brasileiros contemporâneos.
Seiscentas pessoas estiveram neste domingo (20) na Casa Salvatore, no Cabula, para prestigiar o encerramento da Turnê da Liberdade, dos Núcleos Estaduais de Orquestras Juvenis e Infantis da Bahia (Neojiba).
Pela primeira vez, a Orquestra e o Coro Juvenil realizaram uma turnê juntos, que alcançou sete cidades do Norte-Nordeste: Aracaju, Maceió, Recife, João Pessoa, Mossoró, Manaus e, por fim, Salvador.
As duas últimas receberam a violinista japonesa Midori Goto, Mensageira da Paz da Organização das Nações Unidas (ONU) e um dos nomes mais expressivos da interpretação de música clássica da atualidade.
Sob a regência do maestro Ricardo Castro, fundador e diretor-geral do Neojiba, a turnê homenageou os 200 de Independência do Brasil na Bahia, celebrados no último 2 de Julho.
“Nós queríamos que a liberdade da Independência na Bahia fosse marcada fora do estado. Aqui se fala muito, mas fora se fala pouco”, disse o maestro, salientando que o concerto também apresenta um outro sentido: o potencial do projeto musical como ferramenta de liberdade para muitos jovens.
No total, 150 jovens, entre instrumentistas e cantores, percorreram os sete municípios brasileiros – alguns em sua primeira turnê. É o caso da soprano Emyle França, 25 anos, moradora da Capelinha de São Caetano e responsável pelo solo da peça Canticum Natulare, do catarinense Edino Krieger.
“Foi uma experiência de enriquecimento cultural. Eu comecei na música de uma forma abrupta e hoje estou aqui”, disse a soprano, que participa do Neojiba há seis anos.
O repertório da apresentação contou com obras de compositores brasileiros contemporâneos, como É Doce Morrer no Mar, de Dorival Caymmi e arranjo de Ernst Widmer, e Stamos em Pleno Mar, de André Mehmari, a partir do poema de Castro Alves, além de peças europeias, como Concerto Para Violino e Orquestra em ré Menor, de Robert Schumann – uma escolha de Midori, que se apresenta com o Neojiba pela terceira vez.
Ela esteve em Salvador em 2015, quando deu aulas e fez apresentações por uma semana. No ano seguinte, participou de um concerto na Suíça, durante uma turnê internacional.
“Estou muito feliz em voltar aqui. É muito bom ver que novos músicos estão surgindo e é muito gratificante tocar com os músicos que o Neojiba forma”, disse Midori. A violinista japonesa arca com os próprios custos das viagens que faz para projetos como o baiano. “Ela nunca pediu cachê. Midori é um dos principais exemplos de generosidade nesse nível de qualidade”, afirmou Castro.



