
Estados e municípios devem preservar os estoques da vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan até que o Ministério da Saúde emita uma nova orientação sobre o uso do imunizante. A recomendação foi reforçada nesta quarta-feira (10) pelo diretor do Departamento do Programa Nacional de Imunizações (PNI), Eder Gatti.
A medida ocorre após a suspensão temporária da aplicação da vacina Butantan-DV, anunciada pelo governo federal na última segunda-feira (8). Segundo o Ministério da Saúde, a interrupção tem caráter preventivo e visa aprofundar a investigação sobre eventos adversos registrados após o início da estratégia de vacinação.
De acordo com a pasta, foram identificados 42 casos com sinais de alerta em pessoas imunizadas, incluindo dor abdominal intensa, vômitos persistentes e sangramentos. Desses episódios, três foram classificados como graves, entre eles dois óbitos que seguem sob investigação para verificar se há relação causal com a vacina.
Eder Gatti destacou que as doses não devem ser descartadas. A orientação é que os imunizantes permaneçam armazenados na rede de refrigeração dos serviços de saúde até que uma decisão definitiva seja tomada pelas autoridades sanitárias.
O Ministério da Saúde informou que a suspensão foi definida em consenso com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e o Instituto Butantan. A investigação faz parte dos protocolos de farmacovigilância adotados após a introdução de novos imunizantes no Sistema Único de Saúde (SUS).
A estratégia com a Butantan-DV teve início em janeiro deste ano e contemplava profissionais da Atenção Primária à Saúde e pessoas de 15 a 59 anos em municípios-piloto, como Botucatu (SP), Maranguape (CE) e Nova Lima (MG). Em março, a vacinação também foi ampliada para a região de Araguaína, no Tocantins.
Enquanto as análises continuam, o Ministério da Saúde orienta que a população aguarde novas recomendações oficiais e reforça que a suspensão temporária não significa a confirmação de que os eventos adversos tenham sido provocados pela vacina.



