Desligamento delas aconteceu poucos dias após a delegação da Fifa visitar o Brasil

O Ministério do Esporte demitiu, na semana passada, as duas únicas mulheres que ocupavam cargos na Secretaria Nacional de Futebol e cuidavam diretamente das políticas públicas para o futebol feminino.
Sandra Santos, então Diretora de Políticas de Futebol e de Promoção do Futebol Feminino, e Christhiane Souza da Silva, que era Coordenadora Geral de Futebol Feminino, foram desligadas poucos dias após a delegação da Fifa visitar o Brasil e se reunir com o presidente Lula.
Segundo informações do blog Panorama Esportivo do jornal O Globo, as exonerações já foram publicadas no Diário Oficial. O país é candidato a ser sede da Copa do Mundo feminina de 2027 e a comitiva vistoriou algumas cidades que podem receber os jogos.
De acordo com Sandra Santos, ela foi comunicada da exoneração pelo Secretário Nacional de Futebol, o ex-jogador Athirson Mazzoli. Na ocasião, ele teria dito a ela que estava cumprindo ordens superiores e que o cargo dela estava sendo requisitado.
“Ele me disse que não foi escolha dele, que só estava me comunicando. Ele falou que pediram o meu cargo e eles estava cumprindo ordens”, disse Sandra ao blog.
Em nota, o Ministério do Esporte informou que a exoneração de Sandra Santos “se deve exclusivamente a um processo interno de reestruturação das Secretarias do Ministério do Esporte”. E que Athirson “tomou posse do cargo há pouco mais de um mês, com o desafio de fortalecer o futebol como instrumento fundamental de cidadania, inclusão social e de fortalecimento da identidade nacional. A partir disso, a Secretaria está sendo reformulada. E a nova diretora será nomeada em breve”.
Troca
Em setembro do ano passado, durante uma reforma ministerial, o Governo Lula exonerou Ana Moser do comando do Ministério do Esporte. Na época, o governo queria dar mais espaço a lideranças do Progressistas (PP), partido do presidente da Câmara, Arthur Lira. O ministério era uma das exigências da legenda de Lira em troca de apoio ao governo na Câmara.
Na ocasião, o governo foi duramente criticado por entidades ligadas ao feminismo, pela reforma ministerial trocar mulheres do comando de ministérios por homens.
Fonte: O Globo
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil



