Empresa afirma que problemas não atingiram apenas o Brasil e sustenta que algoritmos não operam com critérios ideológicos; campanha petista acionou o TSE e a ANPD

A Meta, empresa responsável pelo Facebook, Instagram e WhatsApp, reconheceu falhas técnicas relacionadas a anúncios e publicações da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas negou que seus algoritmos tenham sido usados para favorecer o senador Flávio Bolsonaro (PL) na disputa presidencial. A manifestação foi apresentada nesta segunda-feira (12), em resposta às acusações de interferência eleitoral feitas pela campanha petista. As informações são da CNN Brasil.
No documento, a empresa afirma que os sistemas de distribuição de conteúdo não operam com base em critérios ideológicos e rejeita a alegação de tratamento desigual entre as candidaturas. A Meta também sustenta que parte dos problemas técnicos relatados não atingiu exclusivamente usuários brasileiros ou contas específicas.
A resposta ocorre após a campanha de Lula acionar o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e anunciar uma denúncia contra a empresa à Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD). A equipe do presidente afirma que falhas na conta de anúncios, interrupções na contagem de visualizações e restrições ao impulsionamento de publicações prejudicaram o alcance digital da candidatura.
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Campanha aponta restrições e diferença de engajamento
Segundo a campanha petista, os problemas não seriam episódios isolados. A equipe afirma que enfrenta dificuldades nas plataformas desde dezembro de 2025 e aponta diferenças de engajamento entre os perfis de Lula e Flávio Bolsonaro.
A denúncia também menciona restrições ao impulsionamento de conteúdos e interrupções nos números de visualizações. Para a campanha, a sequência de episódios levanta suspeitas de que a distribuição de publicações estaria ocorrendo de forma desigual durante a disputa pelo segundo turno.
A Meta, por sua vez, afirma que as falhas técnicas citadas não demonstram interferência deliberada. Em sua manifestação, a empresa declarou que as regras de suas plataformas se aplicam igualmente a candidaturas e conteúdos, e que seus sistemas não são operados para prejudicar ou beneficiar candidatos.
TSE cobra explicações da plataforma
No sábado (10), o ministro Marco Aurélio Bellizze, do TSE, deu prazo de 48 horas para que a Meta apresentasse esclarecimentos sobre as acusações. A decisão também determinou a preservação de registros relacionados à moderação, aos anúncios e às métricas das publicações citadas pela campanha.
O tribunal pediu informações sobre possíveis restrições à distribuição dos conteúdos de Lula, exclusões de recomendação e bloqueios geográficos, além de providências relacionadas a uma rede de 255 perfis falsos que, segundo a campanha petista, teria sido criada com inteligência artificial para divulgar ataques ao presidente e à primeira-dama, Janja Lula da Silva. A equipe afirma que os perfis somaram cerca de 58 milhões de visualizações.
A Meta também citou iniciativas de cooperação com a Justiça Eleitoral, entre elas ações de combate à desinformação, identificação de conteúdos produzidos ou alterados por inteligência artificial e disponibilização de informações oficiais aos eleitores. A companhia afirma ter investido mais de US$ 30 bilhões em equipes e tecnologias de segurança ao longo da última década.
A empresa diz estar comprometida com a isonomia no uso de suas plataformas. A apuração do caso, porém, depende dos esclarecimentos solicitados pela Justiça Eleitoral e da análise das alegações apresentadas pela campanha de Lula.



