Obra reúne narrativas sobre diferentes culturas africanas e será lançada ao lado do livro autoral “Chão, Grão, Canção!”, da ilustradora Adriana Felicíssimo

A literatura infantil e a valorização das culturas africanas estarão no centro de um encontro na próxima sexta-feira (7), às 17h, na Livraria LDM do Shopping Bela Vista, em Salvador. O lançamento do livro “Memórias ao Redor do Baobá” reunirá as autoras Antonia Alves, Eliane Boa Morte e Noly Oliveira, além da ilustradora Adriana Felicíssimo, em um bate-papo seguido de sessão de autógrafos. Na ocasião, Adriana também apresentará ao público seu novo livro autoral, “Chão, Grão, Canção!”.
Voltado para crianças, jovens e adultos, “Memórias ao Redor do Baobá” propõe uma imersão nas múltiplas culturas do continente africano por meio de histórias que apresentam aspectos das línguas, territórios, tradições e modos de vida de povos como Yorubá, Akan, Haussa, Bakongo, Ovimbundo, Kikuyu, Massai, Zulu, Merina e Tuaregue.
Inspirada na simbologia do baobá, árvore associada à memória, à sabedoria e à ancestralidade em diversas culturas africanas, a publicação busca ampliar o conhecimento sobre a diversidade do continente e desconstruir visões estereotipadas historicamente difundidas sobre a África.
O livro é resultado da pesquisa e da atuação das três autoras na área da educação e das relações étnico-raciais. A proposta é aproximar os leitores das diferentes matrizes culturais africanas por meio de narrativas que valorizam identidades, oralidades e patrimônios culturais, incorporando referências linguísticas e elementos característicos dos povos retratados. Ao final da obra, um glossário auxilia na compreensão de palavras, conceitos e expressões presentes nas histórias.
As ilustrações de “Memórias ao Redor do Baobá” são assinadas por Adriana Felicíssimo, psicopedagoga e autora de livros voltados para as infâncias. Para construir o projeto visual, a artista realizou uma pesquisa baseada na obra “African Textiles”, de John Gillow, referência internacional sobre tecidos tradicionais africanos.
Utilizando feltros, fibras naturais, barbantes e diferentes texturas, Adriana desenvolveu imagens que dialogam com a ancestralidade presente nas narrativas. “Os tecidos africanos me mostraram que cada padrão, cada cor e cada trama contam histórias. Procurei transformar essa ideia em ilustrações que também fossem tecidas, carregando memória, pertencimento e afeto”, explica.
Segundo a ilustradora, um dos principais desafios foi representar a pluralidade cultural do continente africano. “Não era sobre representar uma única África, mas reconhecer sua enorme diversidade. Busquei criar imagens que despertassem curiosidade, encantamento e respeito pelas diferentes culturas presentes no livro”, afirma.
Ela destaca ainda que o baobá se tornou o principal elemento visual do projeto. “Mais do que uma árvore, ele representa permanência, escuta e memória coletiva. Foi uma espécie de guia durante todo o processo criativo.”
Durante o evento, Adriana Felicíssimo também lança “Chão, Grão, Canção!”, obra que tem o pilão como símbolo da memória coletiva e dos saberes tradicionais brasileiros.
O livro propõe um olhar sobre a cultura popular a partir desse objeto presente em diferentes gerações, destacando seus usos, significados e a capacidade das tradições de se reinventarem ao longo do tempo. A narrativa convida leitores de todas as idades a refletirem sobre a importância dos objetos, gestos e práticas que ajudam a construir a identidade cultural brasileira.
Trajetória voltada à educação antirracista
As autoras de “Memórias ao Redor do Baobá” possuem ampla atuação na pesquisa e na formação de educadores voltadas para a valorização das histórias e culturas africanas e afro-brasileiras.
Antonia Alves é pedagoga formada pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), especialista em História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena, pesquisadora em literatura popular, culturas e oralidade e integrante do Grupo ERÊ/UFBA e da Associação Brasileira de Pesquisadores Negros (ABPN).
Eliane Boa Morte é pedagoga, mestre em História da África, da Diáspora e dos Povos Indígenas pela Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), doutora em Educação pela UFBA e coordenadora pedagógica da Secretaria Municipal da Educação de Salvador, com atuação na formação de professores e na implementação de políticas de educação para as relações étnico-raciais.
Já Noly Oliveira atua como professora, técnica pedagógica, formadora e mediadora em instituições como UFBA, UCSAL, UNEB, Fundação Visconde de Cairu e Secretaria Municipal da Educação de Salvador, desenvolvendo ações voltadas à educação antirracista e à valorização das pluralidades culturais.
Serviço
Lançamento dos livros Memórias ao Redor do Baobá e Chão, Grão, Canção!
Quando: 7 de agosto (sexta-feira), às 17h
Onde: Livraria LDM, Shopping Bela Vista (L2, Asa Sul – Alameda Euvaldo Luz, 92, Pernambués), Salvador
Programação: bate-papo com as autoras e a ilustradora, seguido de sessão de autógrafos
Entrada: gratuita


