Presidente do bloco criado em 1975 recebeu artistas e amigos que fazem parte da história do pioneiro na tradição de desfilar no Circuito Dodô e Osmar no romper da madrugada

O jubileu de 50 anos do Bloco Alvorada agitou a tarde deste domingo (27) na Praça Quincas Berro D’água no Pelourinho, Centro Histórico de Salvador.
Visivelmente emocionado, Vadinho França, presidente do bloco criado em 1975, recebia a todo momento artistas e amigos que fazem parte da história do pioneiro na tradição de desfilar no Circuito Dodô e Osmar no romper da madrugada.
“Sacudindo o lencinho”, os foliões leais ao bloco tem histórias engraçadas sobre a sua participação durante o desfile da Ala de Canto do Alvorada na avenida.

“Eu e meu marido sempre saímos no bloco Alvorada. Essa tradição de sambar no Carnaval eu aprendi com o meu pai e minha mãe, que hoje já estão bem velhinhos e, mesmo assim, gostam de escutar os sambas da Bahia. Nesse Carnaval de 2024, coincidência ou não, quando ‘o galo cantou’ à meia-noite no Campo Grande, meu marido já estava bem bêbado e emocionado com a saída do Bloco”, afirmou Adeline de Oliveira Ventura , moradora do bairro de São Caetano, em Salvador.
Outra história emocionante na tarde de domingo, durante a Festa do Jubileu do Alvorada, foi o depoimento de Paulo Sérgio Melo, auxiliar de produção do bloco que também completou 50 anos de vida neste domingo.

“É uma data marcada com muitas lágrimas e muitos sorrisos. Eu cheguei no Alvorada quando eu tinha 18 anos e, atualmente, completo 35 anos de trabalho nesse bloco que me abraça os meus sonhos de vida. Já soltei muitos fogos, já ajustei muitas coisas no camarim dos artistas e músicos dentro e fora do trio elétrico. É um jubileu tanto meu quanto de todos os sambistas da Bahia”, finalizou o auxiliar de produção.
Lencinhos, cerveja, caruru, sorrisos, folhas cheirosas e milho branco são alguns dos elementos usados pelo presidente do bloco pra atrair paz e harmonia durante o desfile desse bloco que abraça todas as religiões, etnias e ritmos afro-brasileiros durante o seu desfile no Carnaval de Salvador.
Valdélio França, presidente da Ala de Canto do bloco Alvorada, não poupa elogios aos 50 anos de resistência do seu bloco. “Desejo a todos os nossos foliões fiéis, ao longo dos anos na avenida, muita saúde e samba no pé e esperamos vocês em 2025 ‘sacudindo o lencinho’ com a gente na sexta-feira de Carnaval na avenida”, disse o cantor.
O Terreiro da Preta, projeto ancestral liderado pela cantora e doutora em Educação pela UFBA, Josiane Climaco, também marcou presença nos festejos do Alvorada. Destacando o pioneirismo do bloco Alvorada saindo na madrugada de sexta-feira de Carnaval, Climaco reforçou a importância das narrativas negras presentes nas composições das músicas e nas alegorias dos blocos de samba e dos blocos afro da capital baiana.

Com um galo decorando o centro da mesa que representa a saída do bloco no romper da madrugada no Campo Grande, o samba de mesa do bloco Alvorada deu início aos festejos do Jubileu de um dos mais tradicionais blocos de samba da Bahia, nascido na Ladeira do Gravatá. Abrindo as festividades, um delicioso caruru feito pelos irmãos e irmãs de santo do Terreiro de Candomblé do Bate Folha, criado em 1916, foi servido para os turistas e baianos que marcaram presença na Praça Quincas Berro D’água, Pelourinho.
Ekedji do Terreiro Bate Folha, produtora cultural e filha do presidente do bloco Alvorada, Camila França reforçou a importância de se perpetuar o legado histórico das composições, dos hábitos e costumes dos blocos de samba bem como o protagonismo de mulheres negras na produção cultural e local dos eventos de samba e desfiles carnavalesco em todo Brasil, não só na Bahia.
*Texto por: Patrícia Bernardes Sousa @patriciabernardessousa
Jornalista SRTE 4392/Ba e mobilizadora de Projetos de Impacto Social na Bahia.





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