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Itaberaba, o portal da Chapada que vive do abacaxi e busca equilibrar riqueza e desenvolvimento social

Com PIB per capita de R$ 19,5 mil e IDHM médio, cidade polo da Bacia do Jacuípe mantém tradições centenárias enquanto enfrenta desafios de distribuição de renda e infraestrutura

Foto: Jornal da Chapada

A 275 quilômetros de Salvador, Itaberaba não está no roteiro turístico tradicional da Bahia, mas ocupa um lugar estratégico no mapa econômico e cultural do estado. Fundada em 26 de março de 1877, a cidade é a porta de entrada para a Chapada Diamantina e exerce hoje o papel de capital subregional de alta influência na Bacia do Jacuípe, segundo classificação do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Com 65.073 habitantes no censo de 2022 e uma população estimada em 68.425 pessoas para 2025, Itaberaba se destaca por um PIB de R$ 1,3 bilhão e um PIB per capita de R$ 19.473,31, ambos referentes a 2023. O município gera 14,4 mil empregos formais e tem uma área territorial de 2.386 quilômetros quadrados.

Mas o indicador que mais contrasta com a pujança econômica é o Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM), de 0,620, classificado como médio pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud). O dado sugere que a riqueza produzida na cidade ainda não se traduz integralmente em qualidade de vida para a população.

O abacaxi que move a economia

Itaberaba é a maior produtora de abacaxi da Bahia, responsável por mais de 52% da produção estadual, segundo estudos acadêmicos sobre a região. A variedade Pérola ocupa 2,3 mil hectares de área plantada e é o principal produto agrícola do município, gerando emprego e renda para pequenos produtores rurais e movimentando uma cadeia que vai do plantio à distribuição para outras regiões do país.

A relevância do abacaxi na economia local é tamanha que pesquisadores da Universidade do Estado da Bahia e de outras instituições têm estudado o potencial de Indicação Geográfica do produto, um selo que poderia agregar valor à fruta e fortalecer a identidade de Itaberaba no mercado nacional. Um artigo publicado em 2025 na revista científica Aracê diagnosticou justamente esse potencial, apontando que a notoriedade do abacaxi de Itaberaba já é reconhecida em várias partes do Brasil.

Apesar do peso econômico, a produção enfrenta desafios. Um estudo publicado na revista Geo da Universidade Federal Fluminense alerta para o impacto da monocultura do abacaxi sobre a preservação de espécies frutíferas nativas na região, indicando que o crescimento do setor precisa ser acompanhado de políticas de sustentabilidade ambiental.

O símbolo que vigia a cidade

A Pedra de Itaberaba, formação rochosa imponente que se ergue na paisagem, é o principal cartão postal do município. Mais do que um ponto turístico, a pedra carrega um simbolismo geográfico e cultural: é testemunha silenciosa da ocupação do território, das secas que marcaram a história do sertão e da resiliência de um povo que transformou uma terra árida em polo produtor de frutas.

O turismo local, no entanto, ainda dialoga pouco com a economia do abacaxi e com a população negra e quilombola da região. O censo de 2022 identificou 208 pessoas autodeclaradas quilombolas em Itaberaba, um número que pode ser subnotificado e que aponta para a necessidade de políticas de reconhecimento territorial e de direitos.

O abismo entre o PIB e o IDHM

O contraste entre os R$ 19,5 mil de PIB per capita e o IDHM de 0,620 é o fio que costura a realidade de Itaberaba. A cidade produz riqueza, mas essa riqueza não se distribui de forma equânime. Os 14,4 mil empregos formais convivem com uma informalidade que não aparece nas estatísticas oficiais, e o abacaxi que abastece o país é cultivado, em grande parte, por pequenos produtores cujo acesso à terra e ao crédito ainda é limitado.

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