Título será entregue neste domingo (6) em evento que contará com a presença do governador Jerônimo Rodrigues (PT)
O complexo arquitetônico do santuário de Bom Jesus da Lapa, a 777 km de Salvador, e o conjunto paisagístico e histórico da cidade estão passando por um processo de levantamento e organização documental, para tombamento pelo Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (Ipac). As informações são do portal A Tarde.
Em 2023, a expectativa é que a festa reúna 600 mil romeiros entre 28 de julho e 06 de agosto. A programação religiosa é coordenada pela Igreja Católica e a organização geral conta com a participação de órgãos municipais e estaduais, principalmente em quesitos como segurança, saúde e organização do trânsito.
O trabalho do Ipac complementa o reconhecimento da romaria como Patrimônio Imaterial do estado, concedido pela Câmara de Patrimônio Histórico, Artístico, Arqueológico e Natural (CPHAAN), cujo título será entregue neste domingo (6) em evento que contará com a presença do governador Jerônimo Rodrigues (PT) e comitiva.
Na cidade, o grupo participa às 7h da Missa dos Romeiros e na sequência deve inaugurar o novo aeroporto e a estrutura viária de acesso pela BA-160. A comitiva participa ainda da entrega do Comando Regional do Meio Oeste da Polícia Militar e viaturas para a região. As informações são do jornal A Tarde.
Com a estimativa de atrair aproximadamente dois milhões de visitantes por ano, repercute entre os moradores, principalmente no meio católico, o reconhecimento já obtido, com a torcida pelo tombamento do conjunto que compõem o santuário. “É uma forma de preservar a romaria”, pontuou a professora e devota do Bom Jesus, Beatriz Pontes.
O tombamento estadual do Santuário foi solicitada pelo Conselho Estadual de Cultura (CEC). O processo está em andamento, mas ainda não há uma data anunciada para a finalização.
Reitor do santuário, Monsenhor João Batista Alves do Nascimento disse que a Igreja está colaborando com as equipes técnicas do Ipac, disponibilizando informações e documentos para facilitar a conclusão do trabalho.
“É importante resguardar este patrimônio que extrapola a questão religiosa. O santuário também é um local cultural e histórico”, afirmou, destacando que o turismo gerado a partir da religiosidade movimenta grande parte da economia local, gera empregos e renda para a população regional.
Projeto
Ainda segundo informações de A Tarde, durante a passagem pelo município de Bom Jesus da Lapa, a comitiva do governador vai lançar o projeto de Turismo Religioso, desenvolvido pela Secretaria de Turismo do Estado (Setur) para toda a Bahia.
De acordo com o titular da pasta, Maurício Bacelar, desde 2021 a Setur faz um trabalho profissional com programa de divulgação deste e outros atrativos do turismo religioso católico do estado em feiras específicas para este público em outros estados brasileiros.
“Muitas pessoas não sabem todas as possibilidades que temos”, disse, destacando que mesmo dentro do estado, com 10 roteiros religiosos sugeridos, é importante fazer esta promoção. “Neste trabalho visitamos também operadoras de viagem e agências de turismo para mostrar o que temos e treinar o pessoal acerca dos nossos atrativos”, enfatizou Bacelar.
Com esta proposta, durante a semana a Setur montou um estande no complexo da romaria com materiais promocionais dos outros pontos de peregrinação no estado. Também divulgam outras romarias que ocorrem durante o ano no santuário da Lapa, como a de Nossa Senhora Soledade, em setembro, e das Terras e das Águas, em julho.
Espaço místico
Formado por um grande bloco calcário, cujas grutas foram transformadas em igrejas e capelas da Igreja Católica, o santuário de Bom Jesus da Lapa é conhecido como igreja de pedra e luz. Na parte externa, em frente da entrada principal, uma grande esplanada concentra os fiéis nas principais ocasiões festivas.
Ao lado da torre em estilo medieval, que foi construída entre 1937 e 1952, existe uma trilha que leva ao topo do morro, com a representação de todas as estações da Via Sacra.
O monte fica isolado no meio da planície e da parte superior se observa a cidade que cresceu no seu entorno, bem como o rio São Francisco que corre ao lado.
De acordo com os registros da Igreja, em 1691, o português Francisco Mendonça Mar, que tinha saído de Salvador, a pé, com as imagens de Jesus crucificado e de Nossa senhora Soledade, chegou no local e passou a habitar a gruta.
Moradores do Vale do São Francisco começaram a peregrinação ao lugar para pagar promessas e pedir graças, inicialmente chegando em embarcações pelo rio, andando ou em montarias.


