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Governo recria Comissão de Mortos e Desaparecidos Políticos da Ditadura

Comissão foi extinta em dezembro de 2022 pelo governo anterior

Foto: Sérgio Lima/Poder 360

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) retomou as atividades da CEMDP (Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos) nesta quinta-feira (4). A recriação indica a continuidade do colegiado nos mesmos termos previstos pela sua instituição, em dezembro de 1995. A CEMDP foi extinta pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em dezembro de 2022.

A decisão foi divulgada em despacho nesta quinta em edição do Diário Oficial da União.

A retomada da comissão era uma demanda dos grupos de defesa dos direitos humanos. Ao longo do seu 3º mandato, Lula foi cobrado pela volta das atividades do colegiado. Em abril, o Ministério da Justiça havia ratificado o parecer para a reinstalação da CEMDP e encaminhado o documento ao MDH (Ministério dos Direitos Humanos).

Dentre outros pontos, cabe à comissão mobilizar esforços para localizar os restos mortais das vítimas da ditadura militar e emitir pareceres sobre indenizações a familiares. A comissão está associada ao MDH.

A comissão foi criada em 1995, no governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Em sua história, a comissão conseguiu apurar as circunstâncias em que dezenas de vítimas da ditadura foram mortas.

Entre os casos mais emblemáticos estão a morte do ex-deputado Rubens Paiva, que foi sequestrado e torturado pelos militares, e de cinco desaparecidos políticos cujas ossadas estavam no Cemitério de Perus (SP). Há diversas investigações ainda em andamento aguardando, por exemplo, a análise do DNA dos corpos de possíveis vítimas.

Novos integrantes

Lula dispensou da comissão quatro integrantes ligados a gestão passada e que, em dezembro de 2022, votaram pela extinção do órgão. São eles:

  • Marco Vinicius Pereira de Carvalho, que presidia a comissão;
  • Paulo Fernando Melo da Costa, ligado ao senador eleito Magno Malta (PL-ES);
  • Jorge Luiz Mendes de Assis, militar;
  • Filipe Barros (PL-PR), deputado federal.

Para substituir os integrantes, Lula designou:

  • Eugênia Augusta Gonzaga, que presidirá a comissão;
  • Maria Cecília de Oliveira Adão, representante da sociedade civil;
  • Rafaelo Abritta, representante do Ministério da Defesa;
  • Natália Bonavides (PT-RN), deputada federal.

Lula optou por recolocar Eugênia à frente da comissão. Procuradora Regional da República, ela presidia o órgão em 2019, quando foi destituída do cargo por Bolsonaro.

Com informações do Poder 360 e do G1

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