Projeto Caravana Verger celebra os 80 anos da chegada do fotógrafo e etnólogo à Bahia com exposição, oficinas e apresentações culturais em 18 municípios

A Fundação Pierre Verger promove, no fim de julho, uma série de oficinas formativas para 90 arte-educadores que irão atuar na programação da Caravana Verger, projeto itinerante que levará fotografia, formação e atividades culturais a 18 municípios de cinco estados brasileiros e ao Distrito Federal. A iniciativa, que começa em agosto, reunirá uma exposição com 80 fotografias produzidas por Pierre Verger nas décadas de 1940 e 1950, tendo a cultura popular como tema central. Além da mostra, cada município receberá oficinas e apresentações de artistas locais, estimulando o diálogo entre patrimônio cultural, memória e produção artística contemporânea.
Antes do início da itinerância, a Fundação Pierre Verger promoverá uma etapa de formação voltada aos 90 arte-educadores que irão integrar a programação do projeto. Em Salvador, as oficinas começam no dia 28 de julho e serão realizadas em diferentes espaços da cidade, como o Parque São Bartolomeu, o Acervo da Laje e a própria Fundação Pierre Verger. A proposta é preparar os participantes para desenvolver ações de mediação cultural e incentivar o envolvimento das comunidades que receberão a Caravana Verger.
Segundo o professor e pesquisador José Eduardo Santos, fundador do Acervo da Laje, as oficinas têm como objetivo preparar os participantes para mobilizar as comunidades que receberão o projeto. “Queremos que estes profissionais voltem para suas cidades com muitas ideias e o coração cheio de alegria”, afirma.
Para José Eduardo, a Caravana Verger também representa uma oportunidade de fortalecer os vínculos culturais entre diferentes territórios. “Essas cidades vão reconhecer suas diferenças, mas também perceber possibilidades em comum. A cultura é uma experiência de um Brasil que ainda não se reconhece no Nordeste e nas periferias”, destaca.
A Caravana Verger integra as comemorações pelos 80 anos da chegada de Pierre Verger à Bahia. Entre as décadas de 1940 e 1950, o fotógrafo e etnólogo percorreu diversas cidades do interior nordestino, especialmente na Bahia e em Pernambuco, registrando manifestações da cultura popular ao lado de artistas como Carybé, Mário Cravo Júnior e Aguinaldo.
As imagens produzidas nessas viagens compõem a exposição itinerante, que agora retorna aos locais onde foram originalmente fotografadas. De acordo com o diretor cultural da Fundação Pierre Verger e coordenador-geral do projeto, Alex Baradel, a proposta vai além da preservação da memória. “Vai ser um encontro entre passado e presente, mas com uma reflexão sobre o futuro e a identidade desses locais”, afirma.
Ele observa que parte das manifestações culturais registradas por Verger permanece viva, enquanto outras desapareceram ao longo das décadas. “Algumas manifestações culturais, registradas pela lente de Verger, foram preservadas, mas outras se perderam com o tempo”, completa.



