Portal Umbu conversou com as responsáveis pela Escola Olodum para saber detalhes sobre o espetáculo

Em comemoração aos seus 41 anos, a Escola Olodum realizou o espetáculo musical “Raízes Negras: a nossa identidade em movimento”, nesta sexta-feira (25), às 18h, no Teatro Uneb, em Salvador. O evento é uma produção infantojuvenil que combina percussão, performances corporais contemporâneas e referências culturais africanas e afro-brasileiras, reforçando a educação antirracista promovida pela instituição desde 1989.
O espetáculo busca valorizar a herança cultural africana através da experimentação instrumental e da abordagem das tradições, hábitos e transformações dos povos africanos. O projeto também visa conectar as novas gerações à história afro-brasileira de forma lúdica e educativa.
Idealizadora do projeto, a diretora geral da Escola Olodum, Linda Rosa, falou ao Portal Umbu que o objetivo do espetáculo musical é “criar e oportunizar espaços para crianças e jovens negros que nunca pisaram num teatro”. “Seja através de apresentações ou como público para assistir um espetáculo dentro de um teatro, para muitos deles, neste momento, é a primeira vez que eles estão ocupando este espaço de cultura e destaco essa ferramenta como uma importante para o desenvolvimento cognitivo e da identidade racial do corpo discente da Escola Olodum”, disse.
Linda Rosa ainda explicou como o trabalho feito na Escola Olodum promove a inclusão social e fomenta o letramento racial de crianças. “A arte-educação da Escola Olodum é atualmente, para além da comunidade do Maciel, no Pelourinho. Atendemos todas as crianças e jovens dos mais diversos bairros de Salvador. É algo que se estendeu ao longo destes 41 anos de existência da Escola e é um projeto pioneiro na Educação Antirracista”, afirma.
“Trabalhamos o letramento racial através das músicas para empoderamento da autoestima e percebemos os efeitos disso nitidamente dentro dos nossos projetos. As crianças e jovens tem essa perspectiva do que eles são e do que eles podem ser e de se posicionar, falar. Percussão, dança, balé afro, expressões corporais, teatro, oratória e oficinas de Direitos Humanos e Letramento Racial”, complementa.
Conselheira do Olodum, a jornalista e filósofa, Mara Felipe analisa as contribuições da Escola Olodum para atenuar os efeitos do racismo na sociedade. “A Escola Olodum deve ser reconhecida como uma referência de práticas educativas para o fortalecimento da representatividade, de valorização ancestral e elevação da autoestima do povo negro, anteriores a efetivação da Lei 10.639/03. Desde sua fundação, a Escola Olodum tem sido um espaço para promoção de uma educação antirracista, utilizando a metodologia da pedagogia interétnica que integra música, cultura, novas tecnologias e história africana e afro-brasileira em suas práticas pedagógicas”, explica.
“O Olodum foi uma das primeiras instituições a implementar uma abordagem pedagógica que explora a história e a cultura afro-brasileira. Vale salientar que a pedagogia antirracista do Olodum se materializa na busca por políticas públicas e apontar caminhos na luta contra essas opressões”, sublinha.
Questionada se o espetáculo “Raízes” é um marco ou um exemplo de passagem na gestão pedagógica da Escola Olodum para 2025, Mara Felipe disse: “[o espetáculo] simboliza algo que tem profundidade, tem história e que pode dar continuidade e renovação à missão educativa da Escola, ao integrar não apenas a música e a dança, mas também narrativas históricas e sociais que conectam os jovens à sua herança africana e ao seu papel no enfrentamento ao racismo e demais mazelas sociais”.
A apresentação de “Raízes Negras: a nossa identidade em movimento” é gratuita e aberta ao público a partir dos 7 anos de idade, com apoio financeiro do Bloco Afro Olodum.
*Texto produzido em colaboração com Patrícia Bernardes Sousa, jornalista e mobilizadora de Projetos de Impacto Social na Bahia.




