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Em negação após derrota para Lula, Flávio Bolsonaro rejeita vontade das urnas e se declara presidente eleito

Nos Estados Unidos, senador acusa Justiça brasileira de perseguição sem apresentar provas de fraude e anuncia que liderará oposição do exterior; declaração ataca a legitimidade do resultado eleitoral e as instituições democráticas

Foto: Ricardo Arduengo/AFP/ICL/Reprodução

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) declarou ser o “verdadeiro presidente eleito do Brasil” em um comunicado divulgado nesta quarta-feira (28), após chegar aos Estados Unidos com a esposa e as duas filhas. Derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais, realizado no domingo (25), ele voltou a questionar o resultado das urnas, agradeceu aos presidentes Javier Milei, da Argentina, e Donald Trump, dos Estados Unidos, e anunciou que pretende organizar a oposição ao governo brasileiro a partir do exterior. Com informações do UOL.

A declaração representa uma tentativa de deslegitimar a escolha feita pelos eleitores e o resultado reconhecido pela Justiça Eleitoral. Ao se autoproclamar vencedor sem apresentar provas de fraude, Flávio ataca a democracia, a soberania nacional e o sistema eleitoral brasileiro, além de colocar sob suspeita as instituições responsáveis por garantir o cumprimento da Constituição. A disputa política não autoriza um candidato derrotado a substituir o resultado oficial por uma versão própria dos fatos. O senador foi derrotado por Lula, cuja reeleição foi anunciada após a apuração do segundo turno.

Na declaração, divulgada por meio do empresário Paulo Figueiredo, Flávio acusa o processo eleitoral de fraude, mas não apresenta provas que sustentem a alegação. O senador atribui o resultado à decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), que prorrogou o horário de votação até as 19h em localidades onde eleitores enfrentavam dificuldades de deslocamento, principalmente na Bahia e em São Paulo.

A extensão do horário foi solicitada pelas duas campanhas, embora com abrangências diferentes. A campanha de Lula pediu a medida em todo o país, enquanto a de Flávio solicitou a prorrogação em municípios de Minas Gerais, Rio Grande do Sul, São Paulo, Paraná e Santa Catarina. A decisão se aplicou às seções eleitorais que ainda estavam abertas. Segundo o UOL, cerca de 34,3 mil votos foram registrados após as 17h, enquanto Lula venceu o segundo turno com mais de 4 milhões de votos de diferença.

Ao atribuir a derrota a uma suposta fraude sem apresentar elementos que comprovem a acusação, Flávio também alimenta a desconfiança no processo eleitoral e nas instituições públicas. A Constituição estabelece as regras para a escolha dos representantes políticos e para a transmissão do poder. Negar a legitimidade do resultado sem provas, em vez de recorrer aos mecanismos legais previstos, enfraquece a confiança pública na democracia e desrespeita a decisão soberana do eleitorado brasileiro.

O comunicado foi publicado em papel timbrado com um brasão no qual se lê “Estados Unidos do Brazil”, com Z, em vez de “República Federativa do Brasil”. A denominação “Estados Unidos do Brasil” foi utilizada oficialmente durante a Primeira República e permaneceu até a mudança promovida pela Constituição de 1967, durante a ditadura militar. Pouco depois da divulgação, a publicação foi alterada para apresentar a versão atual do brasão.

A referência a uma denominação antiga do país não altera o caráter político do documento: ao se dirigir à população brasileira e à comunidade internacional como suposto presidente eleito, Flávio tenta conferir legitimidade a uma reivindicação que não corresponde ao resultado oficial. A Presidência da República não pode ser reivindicada por autodeclaração, nem a vontade expressa nas urnas pode ser substituída por uma narrativa unilateral de fraude.

No documento, o ex-candidato compara sua situação à de opositores de governos estrangeiros que deixaram seus países ou passaram a atuar no exterior. Ele menciona o venezuelano Juan Guaidó, que se declarou presidente interino da Venezuela em 2019, e María Corina Machado, liderança da oposição venezuelana que contestou o processo eleitoral de seu país. Também cita o ex-presidente brasileiro Rui Barbosa, o militar francês Charles de Gaulle e o político cubano José Martí como exemplos de figuras que atuaram fora de seus países em contextos de conflito político.

A partir dessas comparações, Flávio sustenta que sua permanência nos Estados Unidos permitirá continuar a disputa política no Brasil. Ele afirma que pretende apresentar, nos próximos dias, uma estratégia para mobilizar a oposição e seus apoiadores por meios que classifica como pacíficos e legítimos. Também pede que a comunidade internacional não normalize o que descreve como um regime de exceção no Brasil.

Na carta, o senador agradece a Milei pela “coragem, senso de justiça e legalidade” e a Trump e à população dos Estados Unidos pelo acolhimento. Ele afirma ter levado a família para o país para se proteger do que considera perseguição política e judicial. As acusações feitas contra as instituições brasileiras são apresentadas no documento como alegações do próprio senador e não vêm acompanhadas de provas capazes de invalidar o resultado eleitoral.

Saída do Brasil ocorreu após ordem do STF

A chegada de Flávio aos Estados Unidos ocorreu depois de uma viagem que passou pela Argentina e pelo Equador. A Direção Nacional de Migrações argentina confirmou que o senador, a esposa e as duas filhas entraram no país vizinho na noite de terça-feira (27) e embarcaram em um avião particular com destino a Guayaquil. A aeronave seguiu posteriormente para Miami, onde pousou nesta quarta-feira.

O Portal Umbu acompanhou o deslocamento em reportagens sobre a confirmação da entrada do senador na Argentina e a passagem pelo Equador, sobre a apuração da Polícia Federal a respeito de sua saída do Brasil, e a chegada do ex-presidenciável com a família para Miami.

A viagem aconteceu após o ministro Alexandre de Moraes, do STF, determinar que Flávio entregasse seus passaportes à Polícia Federal no âmbito de uma investigação sobre suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo o senador e o advogado Willer Tomaz. A decisão também previa o cancelamento dos documentos brasileiros.

O senador não cumpriu a ordem no prazo estabelecido. Na declaração divulgada nos Estados Unidos, afirma que a medida faz parte de uma suposta perseguição e sustenta que não cometeu crime. Flávio e o advogado negam irregularidades na investigação.

Ao anunciar que liderará a oposição do exterior e se declarar presidente eleito, o senador amplia o confronto com as instituições brasileiras para além da disputa eleitoral. A contestação sem provas do resultado das urnas atinge a legitimidade do processo democrático e a soberania dos eleitores, enquanto as acusações generalizadas contra o Judiciário e os órgãos eleitorais buscam desacreditar instituições que atuam dentro da ordem constitucional. A oposição política é legítima, mas não se confunde com a negação do resultado eleitoral nem autoriza a reivindicação de um mandato que não foi conquistado nas urnas.

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Bianca
Bianca
32 minutos atrás

crápula 🤢🤮

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