Decisão do STF também prevê cancelamento dos documentos brasileiros e proibição de contato com o advogado Willer Tomaz; senador afirma que vai cumprir a ordem

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) entregue seus passaportes no âmbito de uma investigação sobre suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo o parlamentar e o advogado Willer Tomaz. A decisão foi assinada no domingo (25) e veio a público nesta segunda-feira (26), após Flávio visitar o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, em Brasília.
A determinação estabelece três medidas: a proibição de contato entre Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz, o cancelamento dos passaportes brasileiros do senador, incluindo o diplomático, e a entrega, no prazo de 24 horas, de eventuais passaportes de outras nacionalidades que ele possua. Segundo o senador, agentes da Polícia Federal o intimaram a cumprir a ordem ao sair da residência do pai.
Em vídeo publicado nas redes sociais, Flávio afirmou que pretende entregar os documentos, mas criticou a decisão e disse que vai se defender judicialmente. O senador também declarou que está proibido de deixar o país e atribuiu a medida a uma fala de seu irmão, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, que teria sugerido que ele deixasse o Brasil caso perdesse a eleição presidencial.
“Eu vou entregar os meus passaportes e vou me defender dessa aberração, que é uma clara tentativa de me intimidar”, afirmou Flávio, conforme relato publicado pelo UOL.
A investigação teve origem na Justiça Federal do Rio Grande do Sul, onde eram apuradas suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e utilização de casas de apostas em um suposto esquema. Durante a apuração, a Polícia Federal identificou e-mails que indicariam que Flávio Bolsonaro foi cadastrado como “usuário master” de uma conta bancária da Alcazar Holdings, empresa pertencente a Willer Tomaz.
Flávio e Tomaz negam irregularidades. A assessoria do senador também negou a existência de uma conta bancária conjunta entre os dois, enquanto a defesa do advogado classificou medidas adotadas contra ele como desproporcionais, segundo o ICL Notícias.
A decisão ocorre após a derrota de Flávio Bolsonaro para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno da eleição presidencial, realizado no domingo (25). Na semana anterior, Eduardo Bolsonaro havia sugerido, em entrevista a um programa dos Estados Unidos, que o irmão deixasse o Brasil caso não vencesse a disputa. Flávio afirmou que nunca declarou intenção de sair do país.



