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Documentário “Água da Fonte” resgata memórias e resistência trans no Centro Histórico de Salvador

Dirigido por Xan Marçall, curta-metragem será lançado no dia 29 de julho, na Sala Walter da Silveira, com exibição gratuita e debate com o público

Imagem: Divulgação

A relação entre território, memória, ancestralidade e resistência da população trans no Centro Histórico de Salvador é o ponto de partida do documentário “Água da Fonte”, que será lançado no próximo dia 29 de julho, a partir das 15h, na Sala Walter da Silveira.

Dirigido pela cineasta, arte-educadora e antropóloga paraense Xan Marçall, o curta-metragem de 16 minutos apresenta um olhar sensível sobre a comunidade do Gravatá, a partir das histórias de três travestis que viveram e ajudaram a construir a memória do local ao longo das últimas décadas. Com entrada gratuita, a sessão será seguida por um bate-papo com o público.

O filme acompanha os relatos de Dhella Dhellamares, Karla Zandh e Keila Simpson, mulheres trans com mais de 50 anos que conduzem a narrativa ao compartilhar suas experiências de vida e testemunhar as transformações da comunidade do Gravatá, tradicional área localizada no Centro Histórico de Salvador. Historicamente marcada como espaço de acolhimento para pessoas socialmente excluídas e para a população trans e travesti, a região é apresentada sob uma perspectiva construída por quem permaneceu e resistiu às mudanças da cidade.

Paralelamente às histórias das protagonistas, o documentário volta seu olhar para a Fonte do Gravatá, antigo fontanário que abasteceu Salvador durante séculos e que hoje enfrenta um cenário de abandono e deterioração. No filme, a água que continua brotando do monumento torna-se símbolo da permanência da memória coletiva diante do esquecimento e da negligência.

Segundo a diretora, a obra também estabelece um diálogo com as tradições de matriz africana presentes na capital baiana: “Em uma cidade marcada pela presença das águas e das tradições de matriz africana, o filme também evoca a dimensão sagrada da Fonte do Gravatá, espaço dedicado à orixá Nanã, propondo uma reflexão sobre patrimônio, preservação e ancestralidade”, destaca Xan Marçall.

Xan Marçall é diretora do filme | Foto: Divulgação

“Água da Fonte” nasceu da pesquisa de mestrado desenvolvida por Xan Marçall no Programa de Pós-Graduação em Antropologia da Universidade Federal da Bahia (Ufba). Durante cerca de dois anos, a pesquisadora viveu na comunidade do Gravatá, experiência que permitiu estreitar laços com os moradores e conhecer de perto as trajetórias das mulheres trans e travestis que protagonizam o documentário.

A convivência no território transformou a pesquisa acadêmica em criação artística, propondo uma leitura do Centro Histórico sob a ótica daqueles que frequentemente permanecem à margem das narrativas oficiais. “Retratar mulheres trans e travestis do Centro Histórico de Salvador era um desejo antigo. Foi na convivência com a comunidade do Gravatá que reconheci naquele território um espaço de pertencimento, acolhimento e respeito”, afirma a diretora.

A trilha sonora do documentário inclui a canção inédita Ancestral do Futuro, composta pela artista Senhora Mar, reforçando o caráter poético da obra e ampliando as reflexões sobre identidade, memória e permanência.

O documentário foi realizado com incentivo da Fundação Gregório de Mattos (FGM), por meio do programa Boca de Brasa. O projeto foi desenvolvido após a participação de Xan Marçall no LabDoc – Laboratório de Formação de Documentaristas, realizado em parceria com o Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira (MUNCAB).

Ao reunir pesquisa antropológica, memória oral e linguagem audiovisual, Água da Fonte propõe uma reflexão sobre a preservação do patrimônio material e imaterial de Salvador, destacando a importância das trajetórias de mulheres trans e travestis como parte da história e da identidade cultural da cidade.

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