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Portal UMBU

Comprar à vista ou parcelado?

Foto: JERO SenneGs/Magnific

Essa semana eu me deparei mais uma vez com uma pergunta muito comum, se não a mais comum que todo cliente ouve quando resolve entrar em uma loja para comprar alguma coisa:

“O senhor vai querer parcelar em quantas vezes?”

Esse tipo de pergunta não acontece à toa. Os vendedores são treinados para fazer esse tipo de abordagem, pois o comércio já entendeu que boa parte da população não possui nenhum tipo de reserva financeira ou, até mesmo, vive o mês na base do limite do cartão de crédito. E é justamente considerando esse cenário de escassez de dinheiro da população que os treinamentos direcionados às equipes de vendas são desenvolvidos.

O foco é garantir a venda, apresentando ao cliente qualquer perspectiva de facilidade que faça com que o consumidor acredite que tem condições de fazer aquela compra naquele momento. Tem que sempre apresentar o valor da parcela e evitar ao máximo expor o custo total da dívida que o consumidor está assumindo. Acho que isso tem funcionado bastante!

E é justamente aí que o nosso amiguinho, o cartão de crédito, ganha força, no parcelamento sem juros e, principalmente, quando a compra em questão tem um preço mais elevado, como é o caso de um eletrodoméstico, um veículo, uma viagem de férias ou até mesmo a contratação de um curso.

Esse treinamento e estímulo são tão sofisticados que já preveem o ajuste da abordagem quando o valor do item é muito elevado ou existe um maior risco de inadimplência. Nesses casos, a estratégia é garantir a venda com uma pequena entrada à vista e o saldo dividido em parcelas acessíveis ao cliente e com as melhores taxas do mercado. Pelo menos é esse o discurso do vendedor. Se serão as melhores taxas do mercado mesmo ou não, aí vai depender do seu conhecimento financeiro ou da sua curiosidade para fazer a análise.

“Senhor, para realizar esse seu sonho, temos uma condição especial para você! Só hoje, você poderá concretizar essa compra com apenas uma pequena entrada de 20% do valor e o saldo dividido em 60 vezes, com as melhores taxas de juros do mercado.”

Diante dessa vivência, me veio a pergunta que dá título a este novo texto:

É melhor pagar à vista ou parcelado?

Como escrevi em outro texto, o parcelamento de qualquer compra virou cultura em nosso país, fortalece o uso dos cartões de crédito e, em muitos casos, é uma excelente ferramenta para dar acesso, educação e até mesmo dignidade a uma parcela da população. Escrevi também que não existe certo ou errado, e sim uma escolha. Por fim, alertei que não existe almoço grátis e que o importante é ter em mente que vai ter sempre alguém ganhando alguma remuneração com a intermediação da compra, com o financiamento da compra ou com a gestão do risco de qualquer transação financeira.

Mas é aí: quando é mesmo que vale a pena parcelar as compras ou pagar à vista?

De uma forma geral, eu sugiro que você se faça alguns questionamentos para trazer maior clareza sobre os benefícios, os riscos envolvidos e as consequências que terá que vivenciar ou administrar a partir da decisão que for tomada.

E, como sempre, os questionamentos que apresentarei a seguir são os que eu faço para mim. Não necessariamente serão os que você fará a si próprio. A ideia aqui é que você, que está lendo esta coluna, tenha condições de criar seus próprios questionamentos e fazer suas próprias análises. Afinal, a vida é sua, o dinheiro é seu e as consequências também serão suas.

Entendeu? Pronto, então vamos aos questionamentos:

Primeiro questionamento – Você precisa realmente fazer essa compra agora ou está apenas indo na onda dos outros, sendo influenciado e estimulado por modinhas, trends ou propagandas?

Essa pergunta é fundamental. Não deixe de fazer essa pergunta em hipótese alguma.

Segundo questionamento – O que você quer comprar é um item durável, em que o número de parcelas será menor que a duração do item ou da experiência adquirida?

Se sim, vai de parcelado, pois as parcelas vão acabar e você ainda estará usufruindo do resultado da compra.

Se a resposta for não, o produto ou a experiência acaba e você ainda estará pagando a parcela. Neste caso, é melhor pagar à vista ou analisar com carinho a necessidade dessa compra e se é realmente o momento de assumir essas parcelas.

Terceiro questionamento – Se pagando à vista você terá alguma vantagem real em antecipar esse desembolso em comparação com o pagamento parcelado.

Entenda: só faz sentido você tirar o dinheiro de uma aplicação se você for ter alguma vantagem. Neste caso, vantagem é um desconto maior que o rendimento da aplicação ou algum outro tipo de benefício que tenha valor para você.

Caso contrário, o melhor pode ser pagar parcelado, pois você não mexe na sua reserva financeira, mantém o controle do seu dinheiro e preserva o capital que poderia continuar rendendo em uma aplicação financeira.

Quarto questionamento – Considerando que todas as perguntas anteriores tiveram respostas alinhadas com os seus planos e necessidades, a pergunta que você, e só você, precisa responder para si mesmo, com o máximo de sinceridade e honestidade, é:

Você tem condições para assumir as parcelas sem sustos, se decidir parcelar, ou tem disciplina suficiente para repor o dinheiro da reserva, poupança ou aplicação que você construiu até hoje, se decidir pagar à vista?

Gente! Sei que não é fácil segurar o impulso de compra e melhorar nesse tipo de questionamento. Sei que vai doer, sei que você vai se frustrar e que talvez você sinta até raiva de mim, de você mesmo ou até do mundo. Tá tudo bem.

Foi assim comigo e é por conta desses sentimentos que hoje eu tenho esse hábito de questionar toda vez que me vejo diante de uma necessidade ou decisão de compra em que existe a possibilidade de parcelamento. Se tornou automático.

A certeza que tenho é que, a partir do momento que você aceitar se fazer essas perguntas ou outros questionamentos nesse sentido, você vai entender a importância de ter esse pensamento crítico e vai começar a evoluir no que chamamos de educação financeira.

Não importa se o acesso a esse tipo de conhecimento foi negado ou, muito menos, se não foi estimulado nas escolas. É realmente uma pena, mas o que importa agora é que você já sabe o quanto é fundamental cuidar da sua vida financeira, ter objetivos e planos bem definidos e ter a clareza de que o dinheiro fica e cresce nas mãos de quem sabe como cuidar de cada moeda.

Espero que os meus pensamentos e minhas vivências consigam ajudar de alguma forma e que você tenha um futuro próspero e libertador.

Um grande abraço e até a próxima.

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