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Combate ao feminicídio e representação política pautam debates na Câmara de Salvador após o 8 de Março

Ativistas e vereadoras cobram reabertura do Conselho Municipal da Mulher e alertam para o alto índice de violência de gênero e racismo nas estatísticas

Foto: Antonio Queirós

A violência contra a mulher e a urgência de ampliar a representatividade feminina nos espaços de poder dominaram as discussões na Câmara Municipal de Salvador (CMS) nesta segunda-feira (9), reflexo das mobilizações do Dia Internacional da Mulher. O debate uniu parlamentares e sociedade civil em torno de dados alarmantes: no ano passado, a Bahia registrou 103 feminicídios, sendo 11 apenas na capital, que também contabilizou 4.500 pedidos de medida protetiva.

Durante a sessão ordinária, a Tribuna Popular foi ocupada por Sandra Muñoz, integrante da coordenação da Casa Marielle Franco Brasil e do grupo de trabalho dinamizador da Rede de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres de Salvador. Ela celebrou a força da marcha que tomou as ruas da capital no domingo (8), mostrando “o quanto as mulheres são organizadas, se unem, levantam suas vozes e que ninguém nos silencia”.

A ativista, no entanto, foi direta nas cobranças ao poder público e exigiu da Prefeitura a reabertura imediata do Conselho Municipal da Mulher e solicitou que o Legislativo encabece uma campanha massiva contra o feminicídio.

Mesa exclusivamente feminina

Em um gesto simbólico proposto pelo presidente da Casa, Carlos Muniz (PSDB), a sessão foi integralmente conduzida por mulheres. A vereadora Marta Rodrigues (PT) presidiu os trabalhos, acompanhada na mesa por Eliete Paraguassu (PSOL), Aladilce Souza (PCdoB) e Débora Santana (PDT).

Mais mulheres no poder e o recorte racial

A necessidade de traduzir a indignação em políticas públicas foi o foco da vereadora Aladilce Souza. Presente na caminhada do fim de semana, a parlamentar frisou que a proteção à vida das mulheres passa diretamente pela ocupação de cargos de decisão.

“O enfrentamento ao feminicídio é urgente e só vai avançar quando tivermos mais mulheres nos postos de decisão”, declarou. A vereadora também chamou a atenção para o perfil das vítimas: “Estamos na cidade mais negra fora da África e não podemos ignorar que mais de 62% das vítimas de feminicídio no Brasil são negras. E nossa capital lidera o triste ranking de violência de gênero”.

Para Aladilce, a presença feminina altera as prioridades da gestão pública, direcionando o foco para a saúde, educação e assistência social. “Este ano há uma mobilização crescente para o avanço da representação feminina nesses espaços. É crucial que a sociedade, partidos e instituições incentivem e liberem as mulheres para participarem da esfera pública, e que as mulheres consigam superar as amarras subjetivas de se sentirem secundárias ou inferiores aos homens”, concluiu.

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