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Bárbara Carine e Thiago Thomé lançam livros inspirados em viagem ao Egito e apresentam novo selo editorial durante a FLIPELÔ

Dois anos após cerimônia simbólica nas Pirâmides de Gizé, escritores lançam obras sobre ancestralidade, arqueologia e identidade africana no Pelourinho

Bárbara Carine (Foto: Gabriel Cerqueira) e Thiago Thomé (Foto: Márcio Farias)

Uma viagem ao Egito, uma cerimônia simbólica de casamento diante das Pirâmides de Gizé e a imersão na história da civilização africana deram origem a dois livros e a um novo projeto editorial. A escritora, educadora e vencedora do Prêmio Jabuti Bárbara Carine e o multiartista Thiago Thomé lançam, no dia 8 de agosto, durante a Festa Literária Internacional do Pelourinho (FLIPELÔ), as obras O Velho Mundo: Egito Negro nas Escolas e Jorge Obaína e o Tesouro de Nefertári.

O evento acontece às 16h, no Largo Tereza Batista, no Pelourinho, e marca também a apresentação da Atotô Editorial, selo criado pelo casal em parceria com a Editora Caxinguelê para publicar obras voltadas às perspectivas negras, afrocentradas e decoloniais. Antes da estreia em Salvador, os livros terão lançamento nacional no Rio de Janeiro, no dia 3 de agosto.

Segundo os autores, a escolha da data tem um significado especial: o lançamento acontece exatamente dois anos após a cerimônia simbólica realizada pelo casal nas Pirâmides de Gizé, em 8 de agosto de 2024.

“Celebrar esses livros na Bahia, durante a FLIPELÔ, tem um significado muito especial. Foi daqui que partimos para viver uma experiência que transformou nossas vidas e foi para cá que voltamos com o desejo de escrever. Lançar essas obras exatamente dois anos depois da cerimônia nas Pirâmides de Gizé é reconhecer que aquela viagem continua produzindo conhecimento, afeto e novas possibilidades de criação”, afirmam Bárbara Carine e Thiago Thomé.

Uma viagem transformada em literatura

Durante dez dias, o casal percorreu diferentes regiões do Egito, do Cairo ao sul do país, na fronteira com o Sudão. A experiência incluiu visitas a templos, museus, sítios arqueológicos e comunidades núbias, resultando em uma pesquisa que ultrapassou o turismo e deu origem a duas narrativas distintas.

Enquanto Bárbara Carine transformou a vivência em uma obra de não ficção voltada para a educação e a história afrocentrada, Thiago Thomé escolheu a ficção para construir uma aventura protagonizada por um arqueólogo negro brasileiro.

As duas publicações também marcam o nascimento da Atotô Editorial, criada com a proposta de ampliar o espaço para autores negros e fortalecer novas perspectivas sobre história, literatura e produção de conhecimento.

“A Atotô nasce porque queremos publicar livros que ampliem repertórios, fortaleçam outras narrativas e contribuam para que mais autores negros encontrem espaço no mercado editorial brasileiro”, afirma Thomé.

Revisitando o Egito a partir de uma perspectiva afrocentrada

Em O Velho Mundo: Egito Negro nas Escolas, Bárbara Carine reúne pesquisa acadêmica, relato de viagem e reflexão educacional para apresentar o antigo Kemet como uma civilização africana negra.

A obra dialoga com temas como arqueologia, filosofia, geografia e relações étnico-raciais, propondo uma revisão das interpretações eurocêntricas sobre o Egito Antigo. Sem assumir o formato de livro didático, o trabalho busca aproximar conhecimento científico e escrita acessível, incentivando educadores, estudantes e pesquisadores a refletirem sobre a presença africana na construção da história da humanidade.

Um arqueólogo negro como protagonista

Já em Jorge Obaína e o Tesouro de Nefertári, Thiago Thomé apresenta seu terceiro livro e inaugura uma saga de aventura ambientada no Egito.

A narrativa se passa em 2050 e acompanha Jorge Obaína, um arqueólogo negro brasileiro que se vê envolvido em uma investigação internacional após encontrar um antigo papiro com inscrições em diferentes sistemas de escrita. Ao lado da arqueóloga egípcia Nádia El-Din, o personagem enfrenta uma rede de tráfico de patrimônio histórico enquanto desvenda segredos preservados há milênios.

Misturando suspense, arqueologia e memória, o romance também propõe reflexões sobre pertencimento, reparação histórica e o direito de narrar as grandes civilizações africanas.

“Durante muito tempo consumimos histórias de aventura protagonizadas quase sempre pelos mesmos perfis de personagens. Quis imaginar um arqueólogo brasileiro, negro, inteligente e profundamente conectado com a história africana. Jorge Obaína nasce desse desejo de ampliar o nosso imaginário e mostrar que também podemos ocupar esses lugares na literatura”, destaca Thiago Thomé.

Literatura como ferramenta de memória

Embora pertençam a gêneros diferentes, os dois livros compartilham a mesma origem: uma experiência vivida em solo africano que se transformou em literatura.

Enquanto Bárbara Carine utiliza a pesquisa histórica para fortalecer práticas educativas comprometidas com a valorização das matrizes africanas, Thiago Thomé aposta na ficção para criar novos protagonistas e aproximar jovens leitores de temas como ancestralidade, arqueologia e identidade.

Serviço

Lançamento da Atotô Editorial e dos livros O Velho Mundo: Egito Negro nas Escolas e Jorge Obaína e o Tesouro de Nefertári

Data: 8 de agosto de 2026

Horário: 16h

Local: Largo Tereza Batista, Pelourinho, Salvador

Evento: Festa Literária Internacional do Pelourinho (FLIPELÔ).

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