
Artistas, representantes do poder público e agentes culturais participaram, nesta terça-feira (19), de uma audiência pública na Assembleia Legislativa da Bahia (Alba) em defesa da criação de políticas permanentes de fomento para a Orquestra Afrosinfônica e a Orkestra Rumpilezz. O encontro debateu estratégias para garantir estabilidade institucional e continuidade das duas iniciativas musicais, reconhecidas pela atuação na pesquisa artística, formação social e valorização da música de matriz africana.
Com o tema “Sons da Bahia: Fomento para as Orquestras Afrosinfônica e Rumpilezz”, a audiência foi proposta pela deputada estadual Olívia Santana e reuniu nomes da cultura baiana no auditório da Alba. A mobilização marca um novo capítulo nas discussões sobre a chamada “publicização” das orquestras, modelo de política pública já adotado pelo Governo da Bahia em outras experiências culturais.
Durante o debate, o maestro Ubiratan Marques, fundador da Afrosinfônica, destacou a importância do reconhecimento das orquestras negras como patrimônio vivo da cultura brasileira. “A gente precisa cuidar dos nossos jardins. O mundo precisa conhecer Luiz Gonzaga, Pixinguinha e saber quem é Lazzo, Gerônimo, Roberto Mendes. A música brasileira só existe por conta dos terreiros”, afirmou.
O maestro também chamou atenção para as dificuldades enfrentadas pelas iniciativas ao longo das últimas duas décadas. “A gente vive há 20 anos do zero. Sem nenhum tipo de apoio permanente, mas representando a música brasileira dentro e fora do país”, disse.
Diretor institucional da Rumpilezz, Emílio Souza ressaltou os desafios diários para manter os projetos em funcionamento. “Muita gente vê as apresentações, mas poucas pessoas conhecem a batalha permanente para manter essas orquestras vivas”, declarou.
Representando a Ancine, Paulo Alcoforado afirmou que as duas formações desenvolvem uma tradição própria da música sinfônica negra brasileira, conectada à diáspora africana e à música de terreiro. “As orquestras Afrosinfônica e Rumpilezz influenciam hoje o pensamento e a criação da música brasileira. São iniciativas que unem pesquisa, composição autoral, formação artística e inovação estética”, pontuou.
Segundo a deputada Olívia Santana, a audiência busca construir estratégias concretas para assegurar a continuidade das duas orquestras e incorporar as iniciativas às políticas públicas permanentes de cultura já existentes no estado.
O encontro contou ainda com apresentação conjunta das duas orquestras e participação de alabês, simbolizando a presença da ancestralidade e da música de terreiro na construção da identidade cultural baiana. Entre os artistas presentes estavam Lazzo Matumbi, Mateus Aleluia, Gerônimo Santana, Roberto Mendes e Roberto Barreto, além de Maria Marighella e Ângela Guimarães.
Mateus Aleluia também comentou a importância da mobilização em torno da sobrevivência das orquestras. “Recebemos com ânimo renovado esta iniciativa do Maestro Bira Marques de pensarmos, nós, sociedade, na sobrevivência social saudável e dignificada das orquestras. Creio que as orquestras têm um papel fundamental em propiciar momentos sociais de convívio equilibradamente saudável cuja finalidade será contribuir para o ser humano exercitar o querer bem”, afirmou.
A audiência também destacou o papel da Casa da Ponte Maestro Ubiratan Marques, sediada no Centro Histórico de Salvador e comandada por Ubiratan Marques. O espaço atua na preservação patrimonial e na educação musical afro-brasileira, promovendo atividades formativas voltadas para crianças e jovens.



