Projeto Maresom forma crianças e jovens, há cinco décadas, por meio da música e preserva as raízes afro-brasileiras

O samba reggae dos tambores que ecoa na Ilha de Maré, há mais de 50 anos, segue formando gerações e preservando tradições. Fundado em 1976, o Projeto Maresom é hoje um dos símbolos da cultura quilombola da região e ganha um novo incentivo com o apoio da Acelen, empresa de energia proprietária da Refinaria de Mataripe, que passa a contribuir para a continuidade, expansão da iniciativa e fortalecimento da cultura regional.
Voltado à formação cultural de crianças e jovens em situação de vulnerabilidade social, o Maresom atende atualmente 47 participantes, com idades entre 2 e 22 anos. Por meio de oficinas semanais de percussão, canto, harmonia, composição e dança, o projeto promove o aprendizado musical e o fortalecimento da identidade, do pertencimento e do protagonismo juvenil.
Representantes da Acelen participaram do evento de apresentação do projeto e puderem conhecer os novos alunos, no último sábado (11), na sede do ONG Maresom dos Quilombolas de Ilha de Maré (QIM), em Praia Grande. Para o vice-presidente de Responsabilidade Social e Recursos Humanos da Acelen, João Raful, iniciativas como o Maresom têm impactos positivo para a cultura da comunidade. “Acreditamos no poder transformador da educação e da cultura. Apoiar o Maresom é valorizar a história, fortalecer identidade e contribuir para a formação de crianças e jovens”, afirma.
A Acelen também está em Ilha de Maré com o programa de capacitação de jovens para o mercado de trabalho, o Jornada Jovem Acelen, em parceria com a AVSI Brasil. Os 25 jovens participantes das aulas presenciais, em Porto dos Cavalos, irão desenvolver um plano de vida e carreira com o objetivo de conectar habilidades e oportunidades.
Inspiração para juventude
Criado em um contexto de poucas opções de lazer na ilha, o Maresom surgiu como um movimento pioneiro. “O Maresom veio ao mundo para fazer um mundo melhor e tornar a Ilha de Maré uma comunidade mais alegre. Naquela época, os ensaios eram na rua e reuniam multidões”, relembra um dos atuais instrutores, cantor e compositor formado pelo próprio projeto, mestre Joy, tesoureiro da ONG e filho de Gonçalo José dos Santos, um dos fundadores.
O projeto vem impactando os jovens, inspirados por mestres como Mon, referência na formação de percussionistas na comunidade. “Foi ele quem ensinou gerações, inclusive a mim. Hoje, sigo esse legado como instrutor”, conta Joy. Atualmente, as atividades acontecem aos sábados, na sede localizada na comunidade de Praia Grande, em espaço cedido pela própria família fundadora, que também abriga o escritório da ONG Maresom QIM, presidida por Luciete dos Santos.

Joy comenta que o apoio da Acelen chega como um reforço importante para a continuidade das atividades e para a melhoria da estrutura oferecida aos alunos. A parceria contribui para ampliar a qualidade das aulas, garantir alimentação durante os encontros e incentivar a permanência dos participantes, muitos dos quais enfrentam desafios socioeconômicos. “Esse apoio é fundamental. Ajuda a manter os alunos presentes, melhora a estrutura e valoriza nossa cultura. Que venham muitos anos de parceria”, destaca.
Cada batida de tambor do Maresom reafirma a força da comunidade de Ilha de Maré. As aulas de percussão são conduzidas por uma equipe de voluntários, cerca de 10 profissionais, incluindo professores de música. Além de técnica, o projeto transmite ensinamentos ancestrais e valores ligados ao respeito ao meio ambiente e à coletividade. O acesso é aberto e inclusivo, apesar da existência de editais para organização das inscrições.




