
O governo federal reagiu à decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas e afirmou que cabe ao Brasil definir como o crime organizado deve ser combatido e enquadrado juridicamente no país.
Em nota divulgada pelo Palácio do Planalto nesta sexta-feira (29), o governo brasileiro afirmou que “são os brasileiros que definem como o crime é classificado e combatido dentro do território nacional”, ressaltando que o enfrentamento às facções criminosas deve ocorrer sob responsabilidade das instituições brasileiras e em respeito à soberania nacional.
A manifestação ocorre após autoridades norte-americanas anunciarem a inclusão das duas facções brasileiras em listas ligadas ao terrorismo internacional. O tema provocou reações dentro do governo Lula, principalmente diante da avaliação de que a medida poderia abrir margem para pressões externas sobre a política de segurança pública brasileira.
Assessor especial da Presidência para assuntos internacionais, Celso Amorim classificou como “inaceitável” qualquer tentativa de usar o combate ao crime organizado como justificativa para interferência estrangeira.
“O crime organizado deve ser combatido, mas pretexto para intervenção é inaceitável”, afirmou Amorim durante viagem a Moscou para participar do Fórum Internacional de Segurança. Segundo ele, a cooperação internacional é bem-vinda, desde que respeite a soberania dos países envolvidos. (Agência Brasil)
O governo brasileiro também criticou a atuação da família Bolsonaro no episódio. De acordo com a nota do Planalto, integrantes do grupo político do ex-presidente Jair Bolsonaro estariam incentivando uma “intervenção estrangeira” em assuntos internos do Brasil.
Em publicação nas redes sociais, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reforçou o discurso de enfrentamento ao crime organizado e afirmou que o governo seguirá atuando para recuperar territórios dominados por facções criminosas. O presidente também voltou a defender medidas federais de segurança pública e integração entre forças policiais.
📝 Nota do Governo do Brasil
— Lula (@LulaOficial) May 29, 2026
O Brasil é uma nação soberana que tem travado combate permanente contra o Primeiro Comando da Capital (PCC), o Comando Vermelho (CV) e as demais facções e milícias que praticam o terrorismo nos territórios em que vivem milhões de famílias. Enfrentar…
Nas últimas semanas, o governo lançou o programa “Brasil Contra o Crime Organizado”, pacote de ações voltado ao combate às facções, lavagem de dinheiro e domínio territorial armado. A iniciativa inclui integração entre forças de segurança, inteligência financeira e fortalecimento do controle de fronteiras.
Apesar das críticas à classificação feita pelos Estados Unidos, integrantes do governo afirmam que o Brasil reconhece a gravidade da atuação de facções criminosas e mantém cooperação internacional no enfrentamento ao tráfico de drogas, armas e lavagem de dinheiro. A divergência, segundo o Planalto, está na tentativa de enquadrar o problema sob uma lógica de terrorismo definida unilateralmente por outro país.



