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Eliana Alves Cruz é a primeira mulher negra a vencer o Jabuti de Melhor Romance Literário

Escritora foi premiada por “Meridiana”, romance sobre uma família negra em ascensão social e os desafios do racismo estrutural

Foto: Instagram/Reprodução | Imagem: Capa/Divulgação/Companhia das Letras/Amazon

A escritora Eliana Alves Cruz entrou para a história da literatura brasileira ao se tornar a primeira mulher negra a vencer o Prêmio Jabuti na categoria Romance Literário. O reconhecimento foi anunciado na noite de terça-feira (27), durante a cerimônia da 68ª edição da premiação, promovida pela Câmara Brasileira do Livro (CBL), em São Paulo. A obra vencedora foi “Meridiana”, publicada pela Companhia das Letras.

O romance acompanha uma família negra que deixa a favela e conquista melhores condições econômicas, mas passa a enfrentar as contradições de uma sociedade atravessada pelo racismo estrutural. A narrativa alterna as perspectivas da mãe, do pai e dos filhos, que relatam em primeira pessoa suas experiências diante das mudanças sociais e dos desafios de encontrar um lugar de pertencimento.

Em entrevista à Agência Brasil, Eliana afirmou que o livro reflete a experiência de famílias que melhoram de vida economicamente, mas continuam enfrentando barreiras sociais e raciais. A escritora descreveu essa condição como uma espécie de limbo, em que as pessoas já não se reconhecem inteiramente no lugar de onde vieram, mas também não se sentem plenamente acolhidas no novo ambiente.

A obra aborda, assim, as tensões que acompanham a ascensão social da população negra no Brasil. A mudança de condição econômica não elimina automaticamente o racismo nem as dificuldades de reconhecimento e pertencimento, questões que atravessam a trajetória dos personagens.

Prêmio Jabuti reconhece diferentes gêneros literários

“Meridiana” venceu na categoria Romance Literário, que reuniu cinco outros finalistas. Entre eles estavam “Coração sem medo”, de Itamar Vieira Junior; “Dança de enganos”, de Milton Hatoum; “Uma delicada coleção de ausências”, de Aline Bei; e “Vez em quando, Billie Holiday”, de Evandro Affonso Ferreira.

A edição deste ano do Jabuti reuniu 115 finalistas, distribuídos em 23 categorias e quatro eixos: Literatura, Não Ficção, Produção Editorial e Inovação. Os trabalhos foram avaliados por critérios que incluem qualidade literária ou técnica, relevância e aspectos editoriais.

A escritora Lygia Bojunga foi homenageada como Personalidade Literária da edição. O reconhecimento coincide com os 50 anos de lançamento de “A Bolsa Amarela”, uma de suas obras mais conhecidas, e destaca sua contribuição à literatura brasileira, especialmente para crianças e jovens.

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