Segundo dia do evento teve shows de Michel Teló e Rachel Reis, além de mesa-redonda sobre o Jarê, que lotou o Mercado Cultural

A 27ª edição do Festival de Lençóis chega ao fim neste domingo (6), em Lençóis, na Chapada Diamantina, com shows de Larissa Luz, Cidade Negra e da Filarmônica Lyra Popular de Lençóis. As apresentações acontecem no Palco Lençóis, na Praça Horácio de Matos, a partir das 19h30. No Mercado Cultural, a programação também terá palestra com o escritor Alexandre Coimbra e apresentação de capoeira do grupo Corda Bamba.
No segundo dia do festival, realizado neste sábado (5), o público acompanhou apresentações de Michel Teló, Rachel Reis e da dupla André Fonseca e Jamile Santos. Na Praça do Coreto, o forró de Élisson Moura também movimentou a programação. A edição deste ano incorporou o Festival de Culturas Populares, ampliando o espaço dedicado às manifestações tradicionais da Chapada Diamantina.
Entre as atrações culturais estiveram o teatro do Grupo Meteoritos, o Auto do Boi Diamante e as marujadas Quilombo do Remanso e Barcas em Rio. A Feira de Artesanato da Bahia também registrou movimento durante o evento, reunindo trabalhos produzidos por artesãos da região e atraindo turistas.
Jarê e ancestralidade
Um dos momentos de maior participação do segundo dia foi a mesa-redonda “Jarê Encantado, Ancestralidade e Patrimônio Cultural”, realizada no Mercado Cultural. O espaço ficou lotado para a conversa sobre o Jarê, religião afro-indígena tradicionalmente praticada na Chapada Diamantina e relacionada à formação histórica e cultural da região.
Participaram do encontro Dona Maninha, do Quilombo do Remanso, Sandoval Amorim e seu filho Pedro Rangel, além de integrantes do Terreiro de Jarê Palácio de Ogum e Todos os Orixás, fundado em 1949, em Lençóis. A conversa foi mediada pela jornalista e pesquisadora Cleidiana Ramos.
Segundo a mediadora, o Jarê está relacionado aos encontros entre saberes de povos africanos e indígenas e também à história do garimpo na Chapada Diamantina. “É muito bom e muito pertinente que, numa festa como é esse Festival de Lençóis, a gente tenha espaço para receber essas pessoas, as mestras e os mestres que fazem o Jarê”, afirmou.
A manifestação também ganhou projeção nacional por meio do livro “Torto Arado”, do escritor baiano Itamar Vieira Junior, que posteriormente ganhou uma adaptação para o teatro. A presença do tema na programação reforçou a proposta do festival de aproximar a música das discussões sobre ancestralidade, patrimônio e identidade regional.
Michel Teló e Rachel Reis
Um dos principais nomes da noite, Michel Teló levou ao Palco Lençóis um repertório que transitou pelo sertanejo e por referências da música popular brasileira. O cantor interpretou sucessos como “Ai Se Eu Te Pego”, “Casal Modão” e “Fuzuê”, além de versões de “É o Amor”, de Zezé Di Camargo, e “Metamorfose Ambulante”, de Raul Seixas.
Durante a apresentação, Teló também convidou ao palco a cantora Ana Nazareno, que estava na plateia. A participação surpreendeu o público e foi um dos destaques do show. “São 27 edições deste importante festival e me sinto muito orgulhoso em ser o primeiro sertanejo a se apresentar nele”, declarou o cantor.
Na sequência, Rachel Reis apresentou ao público de Lençóis um repertório marcado pela mistura de ritmos e pela sonoridade contemporânea. Entre as músicas apresentadas estiveram “Lovezinho”, “Maresia”, “Caju” e “Ensolarada”, além de versões de “Melaço” e “Sexy Iemanjá”, de Pepeu Gomes.
Foi a primeira apresentação da cantora em Lençóis. “É a minha primeira vez em Lençóis e senti uma energia incrível das pessoas. Confesso que estava até desconfiada se teria gente, se ia juntar uma galerinha, mas encheu e ficou muito bonito receber esse calor, esse carinho. Me sinto muito feliz”, afirmou.
Programação do último dia
O encerramento do Festival de Lençóis acontece neste domingo (6). No Palco Lençóis, a Filarmônica Lyra Popular de Lençóis abre a noite às 19h30. Larissa Luz se apresenta às 20h30, seguida pelo Cidade Negra, às 22h.
No Mercado Cultural, a Feira de Artesanato da Bahia funciona das 14h às 22h. Às 16h, o grupo Corda Bamba apresenta uma roda de capoeira. Às 17h, Alexandre Coimbra conduz a palestra “A importância de desacelerar a vida e conviver com a natureza”.
Na Praça do Coreto, Élisson Moura também se apresenta a partir das 18h. Com o encerramento, o festival conclui uma edição que buscou integrar música, cultura popular, ancestralidade, patrimônio e natureza como elementos da experiência cultural na Chapada Diamantina.


