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Mostra de Cinema apresenta filmes produzidos por estudantes de Camaçari

Foto: Claudia Correia

A primeira edição da Mostra de Cinema: Imagem em Movimento (CIM) aconteceu na quinta-feira (3), no Teatro Cidade do Saber, em Camaçari, e nesta sexta-feira (4), no Teatro Tupinambá, no Colégio Estadual de Tempo Integral de Vila de Abrantes, em Abrantes, Região Metropolitana de Salvador. A mostra apresentou três filmes de curta-metragem de ficção, produzidos por estudantes do Colégio Estadual de Camaçari, na sede do município, e do Centro Educacional Marquês de Abrantes, em Vila de Abrantes. Com a presença da secretária municipal de Cultura, Elci Freitas, e de representante da Secretaria Municipal de Educação, o evento contou com performances de alunos e professores dos cursos de dança oferecidos pela Cidade do Saber e vídeos institucionais.

Todas as etapas da produção das obras, incluindo as técnicas de audiovisual, foram ensinadas aos estudantes em oficinas pedagógicas oferecidas pelo Coletivo Fora da Caixa, com patrocínio da TAG e do Governo da Bahia, através do Programa FazCultura, e parceria institucional do Instituto Casa Coletivo e da Prefeitura Municipal de Camaçari. Durante meses, os jovens conheceram diferentes fases de criação de um filme, passando por linguagem audiovisual, narrativa, roteiro, direção, fotografia, áudio, iluminação, edição e produção.

O objetivo do projeto é aproximar os jovens da linguagem audiovisual como ferramenta pedagógica, abrindo oportunidades para que experimentem novas formas de expressão e desenvolvam habilidades a partir de suas próprias vivências como base para a criação artística.

Foto: Claudia Correia

O produtor cultural e diretor geral da CIM, Junior Clemente, destacou a importância do projeto na formação educacional. “Através da arte, a proposta é despertar, ampliar olhares, abrir caminhos para que os jovens absorvam informações e, sobretudo, que a gente contribua para formar cidadãos. O tema norteador é Identidade e Pertencimento. Os três filmes, além das histórias deles, têm esse fio condutor. Cada turma, com seu olhar e suas vivências, escolheu temas diferentes que fazem parte da nossa sociedade, da cultura deles, e a gente fica muito feliz por isso.”

Temas do contexto social

As produções cinematográficas focalizaram a realidade sociocultural vivenciada pelos estudantes, e os temas foram debatidos e pesquisados por eles e pelos professores ligados ao projeto. Os curtas abordam desigualdade social, memória ancestral indígena, pertencimento ao território, amizade e desafios da juventude.

“O Barulho da Fome” conta a história de estudantes e merendeiras que enfrentam um monstro que está muito além da fantasia. Entre filas, pratos, silêncios e ausências, o curta propõe uma reflexão sobre a fome e as diferentes faces das desigualdades sociais que se expressam no ambiente escolar.

Foto: Claudia Correia

Já “As Vozes da Praça” parte de um lugar conhecido pelos moradores de Vila de Abrantes: a Praça da Matriz. O enredo traz um grupo de estudantes durante um trabalho escolar que começa a ouvir misteriosas vozes que os conduzem às memórias dos povos indígenas Tupinambá que viveram naquele território. Inspirado no sítio arqueológico existente na praça, o filme aborda a memória, a ancestralidade e a importância de preservar histórias que permanecem vivas.

Em “O Último Encontro”, seis estudantes do Ensino Médio, punidos às vésperas da formatura, precisam reorganizar a biblioteca da escola para recuperar o direito de participar da cerimônia. O que começa como uma convivência forçada dá lugar a conflitos, descobertas e reflexões sobre amizade, pertencimento e as incertezas de um futuro que começa a se aproximar.

No encerramento da mostra na Cidade do Saber, a estudante Ester Mendes, que estreou como diretora neste curta, discursou emocionada e agradeceu o apoio recebido. “Realizei um sonho de muitos anos, não teria conseguido sem o incentivo dos professores.”

A arte-educadora Larissa Fulana de Tal, o coordenador pedagógico Devson Luz e a professora Ana Paula Melo destacaram a importância da Arte-Educação na formação dos jovens. Larissa elogiou a iniciativa e o protagonismo juvenil. “É fruto da vontade deles de contarem suas histórias, expressarem seus sentimentos, se verem na tela e contribuírem para a nossa representação jovem em Camaçari. Parabenizo a iniciativa e o acolhimento da escola. Espero que a gente possa voltar.”

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