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Festival de Jazz do Capão reúne encontros musicais inéditos em sua 13ª edição

Festival de Jazz do Capão 2025 | Foto: Felippe Gonçalves

O Vale do Capão, na Chapada Diamantina, será novamente palco de encontros entre diferentes gerações, trajetórias e linguagens da música brasileira. Em sua 13ª edição, o Festival de Jazz do Capão (FJC) acontece nos dias 18 e 19 de setembro, no Circo do Capão, em Palmeiras, a cerca de 440 quilômetros de Salvador. A programação é gratuita e começa às 19h na sexta-feira (18) e às 18h no sábado (19).

Completando 16 anos de trajetória, o festival aposta nesta edição em encontros musicais inéditos como eixo de sua proposta artística. A programação reúne artistas de diferentes vertentes da música brasileira, além da Mostra Capão, dedicada a músicos que vivem e atuam no Vale do Capão, e da Mostra UFBA, que apresenta um projeto selecionado pela Escola de Música da Universidade Federal da Bahia (UFBA).

Para o diretor artístico e idealizador do FJC, Rowney Scott, a realização de encontros entre artistas tem sido experimentada pelo festival ao longo dos últimos anos e ganha força em 2026.

“Enquanto curador sinto que esse movimento vem sendo experimentado já há alguns anos, como no encontro de quatro músicos locais na Mostra Capão em 2021; o pianista americano Michael Cain em colaboração com músicos soteropolitanos em 2024; Luiza Britto e o Trio Cravo e Canela em 2025”, afirma.

Segundo Scott, a proposta encontrou um terreno fértil nesta edição, a partir de convites que resultaram em diferentes formações e colaborações. Entre elas estão os encontros de Tiago Nunes e Alana Gabriela, Nilton Azevedo e Lucas Decliê, Daniel Santiago com músicos convidados e o Quarteto Emmbra.

“Sinto que os encontros estão sendo muito importantes num momento da humanidade onde a individualidade e a solidão levam muitas vezes a uma atitude de auto centramento, egoísmo, falta de empatia e dificuldade de lidar com o diferente, o diverso”, avalia o diretor artístico. “Que o FJC 2026 seja um adubo rico para criações e musicalidades, conciliações e generosidades. Viva os encontros! Viva o Festival de Jazz do Capão!”

Programação começa com Mostra UFBA e Quarteto Emmbra

A programação musical começa na sexta-feira (18), às 19h, com a Mostra UFBA. O baterista Victor Brasil, selecionado por meio de edital interno da Escola de Música da UFBA, apresenta seu primeiro show solo no festival. Embora tenha participado de diversas edições acompanhando outros artistas, esta será a primeira apresentação no FJC com um trabalho próprio.

Victor será acompanhado por Davi Ribeiro, no trompete; Nino Bezerra, no baixo; e Jorge Solovera, na guitarra. Com mais de 29 anos de atuação na cena musical baiana, o baterista já trabalhou com artistas como Daniela Mercury, Paulinho Boca de Cantor, Mou Brasil, Nelson Veras, Pepeu Gomes e Luiz Caldas.

Na sequência, o palco recebe o Quarteto Emmbra, formado por Aline Gonçalves, na clarineta e flauta; Louise Woolley, no piano; Camila Rocha, no contrabaixo; e Julia Rodrigues, na bateria. O grupo surgiu a partir do projeto Emmbra – Escritas Musicais de Mulheres Brasileiras, idealizado por Aline Gonçalves e voltado à reunião e valorização de partituras de compositoras brasileiras.

A iniciativa foi vencedora do Prêmio Profissionais da Música de 2021, na categoria Livros Musicais. No festival, o quarteto apresenta um repertório totalmente autoral, destacando a diversidade estética e a produção musical de mulheres brasileiras.

Encerrando a primeira noite, Tiago Nunes e Alana Gabriela apresentam Orí Mejí. O projeto nasce da colaboração entre os dois percussionistas baianos e reúne pesquisas, referências e experiências musicais em composições autorais e releituras que dialogam com matrizes afro-brasileiras, música instrumental e criação contemporânea.

Mostra Capão valoriza produção musical local

No sábado (19), a partir das 18h, a programação começa com a Mostra Capão, espaço dedicado à produção musical do território. Duas apresentações terão a flauta como elemento central: Ari Vinícius Quinteto e Isa fLautaro.

Morador do Vale do Capão há 28 anos, Ari Vinícius apresenta composições autorais que farão parte de seu primeiro álbum, atualmente em fase de gravação. O músico estará acompanhado por Arian Pinho, no baixo; Kiko Dorea, na bateria; Estevam Dantas, no piano; e Mauricio Sprovieri, na percussão.

Também músico, produtor, educador e diretor musical, Ari construiu sua trajetória diretamente ligada à vida cultural da comunidade.

Já Isa fLautaro apresenta um espetáculo que combina composição e improvisação. O repertório inclui adaptações do álbum What’s Next, além de obras inéditas e composições de Gustavo Rocha. No palco, o músico estará acompanhado por Bruno Lavorini, no violão de sete cordas; Guilherme Luz, no baixo; Gustavo Rocha, na bateria; e Leandro Mendes, na percussão.

Nascido no Chile e morador do Vale desde 2010, Isa tem mais de duas décadas de dedicação à música e tornou-se conhecido pelas apresentações realizadas na tradicional feira de domingo do Capão.

Encontros inéditos marcam a segunda noite

Ainda no sábado, Daniel Santiago apresenta Daniel Santiago Convida, projeto criado especialmente para o Festival de Jazz do Capão. O violonista e guitarrista reúne Guto Wirtti, no contrabaixo; Bruno Aranha, nos teclados; e Reinaldo Boaventura, na percussão.

O repertório combina composições autorais de Santiago com releituras de obras de Heitor Villa-Lobos, Nelson Ângelo e Caetano Veloso. Reconhecido por sua trajetória na música brasileira e internacional, Daniel já colaborou com nomes como Eric Clapton, Milton Nascimento, Ivan Lins, Joshua Redman e Kurt Rosenwinkel. Ao lado de Hamilton de Holanda, recebeu quatro indicações consecutivas ao Grammy Awards.

Outro encontro inédito da noite reúne os saxofonistas Nilton Azevedo e Lucas Decliê. A apresentação transita pelos trabalhos autorais dos dois músicos e tem a improvisação como elemento central. Eles serão acompanhados por Alexandre Vieira, no baixo; Jordi Amorim, na guitarra; e Beto Martins, na bateria.

Nascido em Salvador e criado em Cachoeira, Nilton Azevedo tem formação pela Universidade Federal da Bahia e trajetória ligada ao jazz, choro e à música regional. Já trabalhou com nomes como Saulo Fernandes, Trio Nordestino, Letieres Leite, Fred Dantas, BaianaSystem e Orquestra Afrosinfônica.

Lucas Decliê, por sua vez, nasceu em Morro do Chapéu, na Chapada Diamantina, e desenvolveu sua carreira em Salvador. Bacharel em saxofone pela UFBA, também estudou jazz na Alemanha. O músico já integrou projetos como Orkestra Rumpilezz, Letieres Leite Quinteto e Geleia Solar.

O encerramento do festival ficará por conta de Ilessi em Atlântico Negro. Cantora, compositora e pesquisadora musical, Ilessi apresenta um espetáculo que aproxima a canção brasileira da improvisação, da música contemporânea e do jazz.

No palco, ela estará acompanhada por Marcelo Galter, no piano e teclados, responsável pela direção musical e pelos arranjos; Ldson Galter, no contrabaixo; e Reinaldo Boaventura, na percussão. O repertório reúne composições autorais, recriações de obras de compositores brasileiros e cantos de tradição oral.

O álbum Atlântico Negro foi lançado pela Rocinante e serve de base para um espetáculo que, segundo a organização, reinventa o repertório a cada apresentação. Ilessi tem seis álbuns gravados e já se apresentou em diferentes regiões do Brasil e em países como França, Suécia e Inglaterra.

Workshops e ações ambientais

Além dos shows, o Festival de Jazz do Capão terá dois workshops gratuitos no Coreto da Vila. Na sexta-feira (18), às 14h, Tiago Nunes e Alana Gabriela ministram UPB e claves afrobrasileiras – iniciação ao método de Letieres Leite. A atividade apresenta conceitos do Universo Percussivo Baiano (UPB), método criado pelo maestro Letieres Leite, e inclui uma etapa prática com participação do público.

No sábado (19), também às 14h, as integrantes do Quarteto Emmbra conduzem o workshop Mulheres compositoras. A atividade aborda questões de gênero na música e na composição, além dos processos criativos das instrumentistas e de um momento dedicado à apresentação de composições das participantes.

A relação com o território também permanece como um dos pilares do festival. A organização mantém ações de coleta seletiva de resíduos, realizadas em parceria com o Recicla Capão, além do uso de utensílios biodegradáveis e retornáveis na Praça de Alimentação.

Em 2026, a campanha ambiental do FJC será dedicada às Unidades de Conservação do município de Palmeiras, com ações de conscientização voltadas a moradores e visitantes. O festival também promove o ordenamento do trânsito em parceria com a Secretaria de Infraestrutura de Palmeiras.

Como forma de fortalecer iniciativas da comunidade, uma barraca será disponibilizada para a Comissão de Festeiros de São Sebastião, enquanto produtos do festival, como camisas e canecas, serão comercializados com reversão de 100% do lucro para a Escola Comunitária Brilho do Cristal.

Para a coordenadora de produção e moradora do Vale do Capão, Fabiana Carvalho, a rede formada por empreendimentos e trabalhadores locais é parte fundamental da realização do evento.

“Esse espírito de encontro e união artística que sobe ao palco do FJC também se expande e reverbera na forma como o Festival é produzido e construído”, afirma. Segundo ela, pousadas, restaurantes, empresas de transporte, prestadores de serviço, produtores e comerciantes integram uma rede de parceiros que contribui para a realização do festival.

O Festival de Jazz do Capão é realizado pela CulturaTAO e pelo Ministério da Cultura, com apoio da Prefeitura de Palmeiras e apoio financeiro do Estado da Bahia, por meio do Fundo de Cultura, da Secretaria de Cultura e da Secretaria da Fazenda. O evento também conta com patrocínio da Axxo Construtora, RV Digital e Nutricash.

Serviço

Festival de Jazz do Capão 2026
Quando: 18 e 19 de setembro de 2026
Sexta-feira (18): shows a partir das 19h
Sábado (19): shows a partir das 18h
Workshops: dias 18 e 19, às 14h
Local: Circo do Capão, Rua do Juca, s/n, Vale do Capão, Palmeiras (BA)
Entrada: gratuita

Programação musical

18 de setembro, sexta-feira, às 19h

  • Mostra UFBA – Victor Brasil
  • Quarteto Emmbra
  • Tiago Nunes e Alana Gabriela em Orí Mejí

19 de setembro, sábado, às 18h

  • Mostra Capão – Isa fLautaro e Ari Vinícius
  • Daniel Santiago Convida
  • Nilton Azevedo e Lucas Decliê
  • Ilessi em Atlântico Negro
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