
Alguém já parou para pensar o que cada compra significa na sua vida? Seja a compra de acessórios, ingresso para um evento, um passeio ou até mesmo uma doação de caridade. Quanto essa escolha é valiosa para você agora ou no seu futuro?
Nesta nossa nova conversa, vou trazer à luz a diferença entre o custo e o valor do que fazemos com o nosso rico dinheirinho no dia a dia e, com isso, apresentar questionamentos para forçar a reflexão sobre como nossas decisões diárias interagem com nossos planos de vida.
Será mesmo que aquilo que eu desejo e espero para meu futuro está alinhado com as escolhas que eu faço hoje?
ou
Quanto custa cada uma das minhas escolhas e qual é o valor dessas minhas escolhas?
Mas, antes de avançar na conversa, acho importante relembrar as definições de custo e de valor para evitar confusões durante a leitura.
Custo – relação direta com o preço ou desembolso de recursos (dinheiro) para a compra ou realização de uma determinada ação. Exemplo: para fazer um almoço para a família, o custo (valor gasto) para a compra das bebidas, comida e sobremesa é de tantos reais.
Valor – relação direta com o benefício conquistado com o investimento. Exemplo: reunir a família, conversar durante a refeição, resolver alguma questão familiar durante o almoço. Tudo isso são benefícios conquistados com o almoço.
Para ilustrar essa reflexão, vou usar como tema de fundo o recorte de um dos capítulos da série de televisão “Sessão de Terapia”, dirigida por Selton Mello, em que o episódio traduz, na prática, o que é custo e o que é valor de um determinado serviço, no caso, a sessão de terapia, e como o terapeuta desperta o pensamento crítico em seu paciente.
Neste episódio, o terapeuta tenta alinhar o custo mensal das sessões com o seu paciente e pergunta se R$ 80,00 seria um preço que o paciente conseguiria pagar por cada sessão. O paciente responde que não seria possível, e então o diálogo segue até que, em um determinado momento, eles concordam que o preço de R$ 50,00 por sessão seria adequado para o orçamento de uma pessoa que tem como remuneração mensal R$ 2.000,00.
É exatamente neste momento que o episódio da série encontra o tema da nossa coluna e começa a esclarecer como as nossas escolhas dialogam com nossos planos de vida e, de forma bem lúdica, com exemplos do cotidiano, começa a apresentar a percepção de custo (desembolso) e de valor (benefício) do serviço para o seu paciente.
Quando o paciente percebe que R$ 200,00 mensais pagos nas sessões de terapia equivalem a 10% da sua renda total, ele começa a refletir sobre qual é o benefício desse investimento, quanto esse pagamento representa em relação à sua renda e avalia se esse pagamento é uma ação planejada ou apenas um reflexo do piloto automático.

Com essa nova visão, o paciente começa a fazer comparações diretas com decisões financeiras que ele tomou em outras ocasiões e que representaram desembolsos iguais ou maiores em relação à sua renda, além de refletir sobre o valor que cada uma dessas escolhas representou na sua vida. Faz sentido ou não gastar o dinheiro com isso?
No episódio, o paciente diz que esses mesmos R$ 200,00 ele gasta fácil, fácil em um boné, óculos ou uma sandália de marca e que agora consegue entender que não faz sentido investir R$ 200,00 (10%) da sua renda em itens que, apesar de importantes e desejados, não representam nenhum grande valor para sua vida atual ou para o futuro que ele almeja.
Diante da reflexão trazida até agora, trago para vocês mais essas provocações.
Você já parou para calcular quanto custa cada uma das suas escolhas tendo como referência a sua remuneração?
Quantos % da sua renda custa cada uma das suas escolhas?
E completo a provocação com outra pergunta:
Esse custo apresenta algum valor de fato para você ou você apenas está agindo por impulso?
Sei que temas financeiros e comportamentais normalmente são bastante indigestos e complicados de serem abordados, pois as pessoas tendem a se identificar com as questões apresentadas e podem, em muitos casos, se sentir julgadas ou expostas. É muito comum observar, nos comentários das publicações, depoimentos como:
Parece que você está lendo a minha mente!
ou
Você escreveu esse texto para mim, né?
O que eu posso garantir para todos vocês que escolheram ler esta coluna é que o objetivo aqui nunca foi julgar, expor ou invalidar qualquer uma das decisões financeiras que alguém tenha feito. O objetivo aqui é trazer uma maior clareza, consciência e, sobretudo, o meu ponto de vista sobre o comportamento e o uso do dinheiro no dia a dia.
Então, meus filhotes! Seja com choro, raiva, sorriso ou alegria, o que eu espero e desejo é que cada um de vocês olhe com carinho para o custo e o valor de cada uma das suas escolhas e avalie se essas decisões estão aproximando ou afastando vocês dos seus objetivos de vida.
Tenham todos boas reflexões e até a próxima.


