Iniciativa busca aproximar manifestação cultural soteropolitana das práticas pedagógicas e valorizar memória, identidade e diversidade cultural

O Samba Junino, manifestação cultural reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial de Salvador, está ganhando espaço nas escolas da rede municipal de ensino. Um projeto desenvolvido em parceria com a Jequitibá Assessoria busca aproximar a tradição das práticas pedagógicas e ampliar o conhecimento de estudantes e educadores sobre a história e a identidade cultural da cidade.
A iniciativa teve uma primeira etapa marcada pela criação do Juntaê, recurso lúdico e paradidático voltado à apresentação do Samba Junino. O material utiliza a linguagem de um quebra-cabeça de 48 peças para retratar um festival realizado na Praça dos Artistas e apresentar elementos do território do Engenho Velho de Brotas, incluindo a casa da família Bafafé.
Além do material físico, o projeto reúne conteúdos digitais acessíveis, com recursos como Libras, audiodescrição, vídeo animado e música. Na primeira fase, foram distribuídos gratuitamente 500 kits para escolas, bibliotecas, espaços de leitura e grupos de Samba Junino de Salvador.
Formação para educadores
A nova etapa do projeto começou com uma formação destinada a professores e coordenadores pedagógicos da rede municipal. O encontro reuniu cerca de 100 profissionais, além de músicos ligados ao Samba Junino e representantes da Fundação Gregório de Mattos (FGM) e da Universidade Federal da Bahia (Ufba). A atividade foi realizada no auditório da Faculdade de Arquitetura da Ufba.
A proposta é oferecer aos educadores ferramentas para utilizar o Samba Junino como recurso pedagógico e trabalhar temas como memória, identidade, território, ancestralidade e relações étnico-raciais em sala de aula.
A iniciativa também contribui para fortalecer ações de educação patrimonial e ampliar o contato dos estudantes com manifestações culturais produzidas em Salvador. A expectativa é que o material seja incorporado às atividades escolares de diferentes maneiras, de acordo com as possibilidades de cada unidade de ensino.
Valorização do patrimônio cultural
O Samba Junino surgiu em Salvador na década de 1970 e tem suas raízes relacionadas às tradições afro-brasileiras e às festas juninas. O ritmo é marcado pelo samba duro e se consolidou como uma das expressões culturais características da capital baiana. Em 2018, a manifestação foi reconhecida pela Prefeitura como Patrimônio Cultural Imaterial de Salvador.
Ao levar essa história para o ambiente escolar, o projeto pretende contribuir para a preservação e a transmissão de conhecimentos entre diferentes gerações. A proposta também amplia a possibilidade de que crianças e jovens reconheçam manifestações culturais presentes nos territórios onde vivem como parte da história da própria cidade.
A formação de professores e a distribuição dos materiais fazem parte, portanto, de uma estratégia que busca não apenas apresentar o Samba Junino aos estudantes, mas também estimular o uso da cultura local como instrumento de aprendizagem e valorização da diversidade de Salvador.


