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Maragogipe: a cidade do Recôncavo onde 5,8 mil quilombolas lutam para manter o território e a cultura vivos

Com 37 mil habitantes e 13 comunidades quilombolas certificadas, município às margens da Baía do Iguape equilibra tradição, resistência e conflitos por terra

Foto: Internet

Localizado no Território de Identidade Recôncavo, o município de Maragogipe tem 437,61 km² de área e uma população estimada em 37.041 habitantes, dados de 2025. Situado às margens da Baía do Iguape e do Rio Paraguaçu, o município carrega um peso histórico que poucas cidades baianas podem reivindicar: foi palco da colonização portuguesa, da economia açucareira sustentada pela mão de obra escravizada e, hoje, é um dos territórios com maior concentração de comunidades quilombolas certificadas do estado.

Segundo o Censo Demográfico de 2022, 30.637 habitantes se autodeclaram pretos ou pardos, o que representa mais de 82% da população. Desses, 5.812 pessoas se autodeclaram quilombolas, distribuídas em 13 comunidades certificadas pela Fundação Cultural Palmares: Salaminas, Porto da Pedra, Giral Grande, Guerém e Tabatinga, Enseada do Paraguaçu, Sítio Dendê, Zumbi, Quizanga, Guaruçú, Buri, Baixão do Guaí, Angolá, e Capanema e Pijuru.

Entre elas, Angolá se destaca por ser reconhecida como um quilombo urbano, o que demonstra que a organização quilombola em Maragogipe não se restringe à zona rural, mas ocupa também o espaço urbano da cidade.

O território como fonte de vida e de conflito

Grande parte dessas comunidades está inserida na área de influência da Reserva Extrativista Marinha Baía do Iguape, a Resex Baía do Iguape, uma unidade de conservação federal criada para proteger os ecossistemas estuarinos (áreas de transição na costa onde a água doce de um rio se encontra e se mistura com a água salgada do mar) e garantir o uso sustentável dos recursos naturais pelas populações tradicionais. Na prática, a Resex é o que permite que a pesca artesanal, a mariscagem, a agricultura familiar e o extrativismo continuem existindo como modos de vida complementares para centenas de famílias.

Estudos sobre a região mostram que a permanência dessas comunidades está diretamente ligada à conservação dos ambientes naturais e ao acesso aos territórios tradicionalmente ocupados. Quando um desses elos se rompe, seja por pressão de empreendimentos econômicos, por transformações ambientais ou por disputas fundiárias, a reprodução social dessas famílias fica ameaçada.

A economia que vem da terra e do rio

Entre as principais atividades produtivas de Maragogipe estão a pesca artesanal, a mariscagem, a agricultura familiar e o extrativismo. São essas atividades que garantem a geração de renda e a segurança alimentar da maioria das famílias, especialmente nas comunidades tradicionais.

O município também se destaca pela produção de mandioca, dendê e frutas, além do artesanato tradicional em barro e cerâmica, atividade historicamente desenvolvida por artesãos locais e reconhecida como expressão importante da identidade cultural e da economia do município.

Foto: Internet

A cultura que resiste no Recôncavo

Maragogipe é nacionalmente conhecido pelo seu Carnaval, marcado pelo uso tradicional de máscaras e fantasias, uma das manifestações culturais mais originais da Bahia. Mas a cidade mantém vivas outras expressões igualmente importantes: o samba de roda, a capoeira e as festas religiosas, todas referências do patrimônio cultural do Recôncavo Baiano.

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