Cabotegravir, aplicado a cada dois meses, está em análise para integrar a oferta de PrEP na rede pública e promete facilitar a adesão ao tratamento preventivo

O Sistema Único de Saúde (SUS) poderá oferecer, ainda este ano, uma nova forma de prevenção ao HIV. O medicamento injetável cabotegravir, utilizado como profilaxia pré-exposição (PrEP), está em fase final de análise para incorporação à rede pública e pode ampliar as opções de prevenção disponíveis no país.
Atualmente, o SUS já disponibiliza gratuitamente a PrEP em comprimidos de uso diário, estratégia utilizada por mais de 350 mil pessoas para reduzir o risco de infecção pelo vírus HIV. A principal vantagem do cabotegravir é a aplicação bimestral, eliminando a necessidade de tomar um comprimido todos os dias e favorecendo a adesão ao tratamento preventivo.
O medicamento age impedindo a replicação do HIV no organismo e é indicado para pessoas que apresentam maior risco de exposição ao vírus. Estudos internacionais demonstraram que a versão injetável é mais eficaz do que a PrEP oral diária em alguns grupos populacionais, especialmente por reduzir falhas relacionadas ao esquecimento da medicação.
Antes de ser disponibilizado pelo SUS, o cabotegravir precisa passar pela avaliação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec), responsável por analisar evidências científicas, custo-benefício e impacto orçamentário de novos medicamentos e tratamentos.
Segundo o Ministério da Saúde, a expectativa é que o processo seja concluído até o fim de 2026, permitindo que o medicamento passe a integrar a política pública de prevenção ao HIV.
PrEP é uma das principais estratégias de prevenção
A profilaxia pré-exposição consiste no uso de medicamentos antirretrovirais por pessoas que não vivem com HIV, mas apresentam maior risco de infecção. Quando utilizada corretamente, a estratégia reduz significativamente a chance de transmissão do vírus por via sexual.
Além da PrEP, o Ministério da Saúde recomenda a prevenção combinada, que inclui o uso de preservativos, testagem regular para HIV e outras infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), além da profilaxia pós-exposição (PEP), indicada em situações de possível contato com o vírus.
Caso seja incorporado ao SUS, o cabotegravir representará mais uma alternativa para ampliar o acesso à prevenção do HIV no Brasil. A expectativa é de que a modalidade injetável beneficie principalmente pessoas que enfrentam dificuldades para manter o uso diário dos comprimidos, aumentando a efetividade das políticas públicas de enfrentamento à epidemia.


