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EUA miram Pix após encontro entre Trump e Flávio Bolsonaro

Foto: Reprodução/@flaviobolsonaro/X

Os Estados Unidos concluíram a investigação comercial aberta contra o Brasil em julho do ano passado e propuseram medidas de retaliação que podem ampliar as tensões entre os dois países na madrugada desta terça-feira (2). O relatório preliminar divulgado pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA aponta supostas práticas consideradas prejudiciais aos interesses norte-americanos e cita desde decisões judiciais brasileiras até questões ambientais, propriedade intelectual e o sistema de pagamentos instantâneos Pix.

Entre os pontos que mais chamaram atenção está a aplicação de tarifas de 25% sobre mercadorias brasileiras, com exceção de algumas, como carne, frutas, café, aeronaves e terras raras, além da inclusão do Pix na lista de preocupações do governo de Donald Trump. O documento argumenta que o sistema criado pelo Banco Central brasileiro seria um exemplo de intervenção estatal que favorece empresas nacionais e dificulta a atuação de companhias estrangeiras no mercado financeiro.

A medida do governo estadunidense foi divulgada poucos dias após visita do senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) a Trump no último dia 26 de maio. Após o encontro, os Estados Unidos já tinham anunciado que passaram a classificar as facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas, decisão que foi vista pelo Governo Federal como ameaça à soberania nacional e pretexto para intervenção estrangeira.

Segundo o relatório, representantes do setor privado norte-americano afirmaram que a gratuidade do Pix para pessoas físicas e o papel central do Banco Central na operação do sistema criariam uma competição considerada “injusta” em relação a empresas privadas de pagamentos digitais bilionárias como Mastercard, Visa e Meta, que chegou a lançar a ferramenta de pagamentos Whatsapp Pay, que não teve adesão entre os usuários do aplicativo. “Os atos, políticas e práticas do Brasil relacionados ao tratamento preferencial concedido ao Pix são injustos e discriminatórios”, diz a gestão norte-americana em relatório. A investigação foi conduzida com base na Seção 301 da legislação comercial dos EUA, instrumento frequentemente utilizado por Washington para justificar tarifas e sanções comerciais.

A conclusão da apuração abre caminho para a adoção de novas medidas comerciais contra o Brasil. Entre as possibilidades estão tarifas adicionais sobre produtos brasileiros exportados para o mercado norte-americano, além de outras restrições comerciais que ainda serão discutidas em consulta pública com representantes do setor privado dos EUA antes da elaboração do relatório final.

Pix se tornou símbolo da disputa

Lançado em 2020 pelo Banco Central, o Pix transformou o sistema de pagamentos brasileiro ao permitir transferências instantâneas gratuitas para pessoas físicas e com custos reduzidos para empresas. Atualmente, a ferramenta é utilizada por milhões de brasileiros diariamente e se consolidou como o principal meio de pagamento do país.

Para analistas, o sucesso do sistema ajudou a reduzir a participação de empresas de cartões e de plataformas internacionais de pagamento em determinadas operações financeiras. Essa mudança é apontada como uma das razões para o desconforto de setores empresariais dos Estados Unidos, que pressionam o governo Trump a adotar medidas contra o modelo brasileiro.

O Pix já aparecia entre as críticas apresentadas pelo governo norte-americano quando a investigação foi aberta, em 2025. Na ocasião, Washington alegou que o sistema favoreceria agentes econômicos locais em detrimento de concorrentes estrangeiros.

Outras críticas ao Brasil

Além do Pix, a investigação menciona decisões do Judiciário brasileiro relacionadas à atuação de plataformas digitais, tarifas de importação aplicadas pelo país, proteção de propriedade intelectual, políticas para o setor de etanol e ações de combate ao desmatamento.

O governo Trump também tem demonstrado insatisfação com decisões brasileiras envolvendo grandes empresas de tecnologia dos Estados Unidos e com medidas regulatórias adotadas pelo país nos últimos anos, como em processos envolvendo Elon Musk e a plataforma X (antigo Twitter). Essas questões passaram a integrar o conjunto de argumentos utilizados por Washington para justificar uma possível resposta comercial.

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