
Palestrante da mesa “Narrar para Existir: Memória, Ancestralidade e Soberania Cultural”, Maria Marighella é um dos destaques da programação da primeira edição da Feira Literária de Ibicoara (FLIBIC), realizada na Chapada Diamantina. O evento segue até este sábado (23) e reúne escritores, artistas, educadores, coletivos culturais e moradores da região em torno do tema “O Poder da Oralidade na Literatura e Cultura Brasileira”.
A ex-presidenta da Fundação Nacional de Artes participou da abertura oficial da feira, na quarta-feira (21), e retomou a programação nesta sexta-feira (22), com presença em atividades culturais na sede e na zona rural do município. Pela manhã, visitou o Circo Redondo, na comunidade de Campo Redondo, e integrou o painel “O Papel da Literatura na Identidade e Cidadania Cultural”, ao lado de Emílio Tapioca e Juvenal Payayá, no Espaço Café e Poesia. À tarde, participou da mesa “Narrar para Existir: Memória, Ancestralidade e Soberania Cultural”, realizada no teatro da feira.
Durante sua fala, Maria destacou o papel da cultura e da literatura na afirmação da identidade brasileira e na construção de um projeto de desenvolvimento para o país.
“Quem pode narrar o Brasil? Quem tem o direito de narrar o Brasil? Quem não é dono da sua história não é dono do seu futuro. Contar nossas histórias integra a nossa soberania e precisa fazer parte de uma estratégia de país soberano”, afirmou.
Ela também ressaltou a importância das feiras literárias como espaços de fortalecimento da memória, da oralidade e das economias culturais nos territórios do interior da Bahia.
“Celebrar as feiras literárias da Bahia é celebrar um povo que quer contar as suas histórias. Não apenas pelas letras dos livros, mas pelas letras da oralidade, da música, do hip-hop, do rap, das artes e da cultura popular”, disse.
Ao longo da participação, Maria defendeu ainda a cultura como vetor econômico e social estratégico para o estado. “A cultura pode e deve ser uma matriz do desenvolvimento da Bahia. Essas feiras convocam para uma economia viva, rica, próspera, promotora de mobilidade social e equidade. É um setor que emprega jovens, mulheres e comunidades muitas vezes vulnerabilizadas”, declarou.
A FLIBIC nasce como uma iniciativa voltada à valorização da oralidade, da literatura e das tradições culturais da Chapada Diamantina. Idealizada pelo Coletivo Baobá, a feira também promove ações formativas em escolas públicas, oficinas artísticas e concursos literários.



