Programa do governo federal já formalizou 48.587 acordos para contratos em atraso do Fies; entrada paga pelos estudantes devolveu R$ 148 milhões aos cofres públicos

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Dez dias após a abertura do prazo de adesão, o Desenrola Fies já renegociou R$ 2,8 bilhões em contratos do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) em atraso. Segundo dados divulgados pelo governo federal, 48.587 estudantes aderiram ao programa, que também já garantiu o retorno de R$ 148 milhões aos cofres públicos apenas com o pagamento das parcelas de entrada.
A iniciativa, regulamentada pela Resolução nº 66/2026 e amparada pela Medida Provisória nº 1.355/2026, permite a renegociação de contratos firmados até 2017. O prazo para adesão vai até 31 de dezembro, por meio dos canais digitais do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal.
O programa foi desenhado para reduzir a inadimplência e facilitar a regularização financeira dos beneficiários. De acordo com o MEC, mais de 1 milhão de estudantes podem ser alcançados pela medida. As condições variam conforme o perfil do contrato e o tempo de atraso, com descontos que vão de 12% a até 99% do valor consolidado da dívida, além da possibilidade de parcelamento em até 150 meses.
Entre as regras previstas, contratos sem atraso ou com atraso de até 90 dias têm desconto de 12% para pagamento à vista. Para débitos vencidos há mais de 90 dias, o abatimento mantém os 12%, com desconto integral de juros e multa. Já contratos com atraso superior a 360 dias podem ter redução de 77% sobre o saldo total, chegando a 92% para estudantes inscritos no CadÚnico e a 99% nos casos de dívidas com mais de cinco anos de atraso para esse mesmo público.
Para aderir, o estudante deve acessar o aplicativo ou portal do banco responsável pelo contrato, selecionar a opção de renegociação, validar eletronicamente os termos e pagar a entrada. Após a confirmação do pagamento, a retirada do nome do estudante e dos fiadores dos cadastros de inadimplência ocorre automaticamente, com atualização do novo cronograma.
Criado em 2001, o Fies financia cursos de graduação em instituições privadas com avaliação positiva no Sinaes. Desde 2018, o programa passou a prever juros zero para parte dos beneficiários, com financiamento escalonado conforme a renda familiar.



