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Ópera de Pequim aproxima tradição chinesa e cultura afro-baiana em encontro com Ilê Aiyê antes de espetáculo no TCA

Intercâmbio cultural realizado no Teatro Martim Gonçalves reuniu artistas baianos e chineses em uma imersão entre música, dança e ancestralidade

Tradição chinesa foi embalada pela cultura afro-brasileira nesta sexta-feira (22) | Foto: Caio Batista

Entre os tambores afro-baianos e os sons agudos do jinghu, instrumento tradicional da música chinesa, artistas do Ilê Aiyê e da Companhia Nacional da Ópera de Pequim transformaram o Teatro Martim Gonçalves, em Salvador, em um espaço de encontro entre ancestralidades na manhã desta sexta-feira (22). O intercâmbio cultural antecede a apresentação inédita do espetáculo “A Lenda da Serpente Branca”, que será encenado neste sábado (23), na Concha Acústica do Teatro Castro Alves.

A atividade reuniu integrantes do bloco afro baiano, músicos, artistas da companhia chinesa e convidados em uma imersão artística marcada por demonstrações de canto, música e coreografia. O público acompanhou trechos de obras tradicionais da Ópera de Pequim, como “A Concubina Embriagada” e “O Caso da Guilhotina”, além de apresentações coreográficas como “Encruzilhada”, executadas ao som de instrumentos tradicionais chineses de percussão e cordas.

Mais do que uma apresentação técnica, o encontro buscou aproximar linguagens artísticas construídas em contextos culturais distintos, mas atravessadas por elementos comuns, o corpo como narrativa, a musicalidade como ritual e a preservação da ancestralidade por meio da arte.

Para Edmilson Lopes, diretor social do Ilê Aiyê, a atividade reforça o papel histórico do bloco afro na construção de pontes culturais e identitárias.

“Falar do Ilê Aiyê é falar de história, falar de contemporaneidade, falar de construção e falar de identidade. Hoje nós estamos aqui com os nossos parceiros da Ópera de Pequim e começamos a perceber que isso é um trabalho paralelo. Eles estão lá, nós estamos aqui, discutindo cultura e trazendo inovação cultural”, afirmou.

Segundo ele, o intercâmbio artístico também revela a potência da cultura como ferramenta de conexão entre povos: “Esse é o papel do Ilê, essa é a parceria que o Ilê vem buscando com todos que podemos ter junto. Percussão é a linguagem universal do mundo”, completou.

Reconhecida pela Unesco como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade, a Ópera de Pequim, também chamada de Jingju, combina música, teatro, dança, acrobacia e artes marciais em encenações marcadas pela estilização dos gestos, figurinos elaborados e forte simbologia visual.

Integrante da orquestra da companhia chinesa, Ni Qisen explicou ao público alguns dos fundamentos da linguagem artística desenvolvida há mais de dois séculos na China. “É uma forma de arte extremamente completa, que combina canto, dança e interpretação. Do ponto de vista artístico, reúne elementos da literatura, das artes visuais, da música e da dança”, disse.

O músico destacou ainda que as apresentações incorporam diferentes formas de expressão cênica em uma mesma performance:“No palco, temos formas de expressão como ópera, teatro, dança, artes marciais e acrobacia”, explicou.

A musicalidade também foi um dos pontos centrais da apresentação. Segundo Ni Qisen, a orquestra utiliza instrumentos tradicionais chineses de percussão, sopro e cordas, responsáveis por criar as atmosferas dramáticas das encenações. “O jinghu é o principal instrumento melódico da Ópera de Pequim. Ele equivale ao violino em uma orquestra sinfônica”, pontuou.

Cena “Encruzilhada” | Foto: Caio Batista

A passagem da Companhia Nacional da Ópera de Pequim por Salvador integra as ações do Ano Cultural Brasil-China 2026 e marca uma rara apresentação do grupo no Brasil. Fundada em 1955, a companhia é considerada uma das principais representantes mundiais da tradição da Ópera de Pequim.

Neste sábado (23), o público baiano poderá assistir ao espetáculo “A Lenda da Serpente Branca”, obra baseada em uma das narrativas mais conhecidas da mitologia chinesa. A história acompanha o romance entre uma serpente branca transformada em mulher e um humano, em uma trama que atravessa conflitos entre o mundo espiritual e o terreno.

SERVIÇO:

Show: Ópera de Pequim – A Lenda da Serpente Branca
Dia: 23 de Maio (sábado)
Local: Concha Acústica do Teatro Castro Alves (Campo Grande)
Abertura dos portões: 17h | Show: 19h
Ingressos: Sympla
Classificação: Livre

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bianca
bianca
22 horas atrás

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