
Memória, pertencimento, oralidade e ancestralidade atravessam as páginas de Memórias ao redor do Baobá, obra que será apresentada ao público em um pré-lançamento virtual nesta segunda-feira (25), às 19h45, em transmissão pelo YouTube. O encontro propõe uma conversa sobre os caminhos que deram origem ao livro, construído a partir de narrativas inspiradas em diferentes povos do continente africano.
A obra convida leitores a conhecer culturas como Yorubá, Akan, Haussa, Bakongo, Ovimbundo, Kikuyu, Maasai, Zulu, Merina e Kel Tamasheq, ampliando o olhar sobre línguas, modos de vida, territórios e tradições africanas. Ao longo das histórias, o livro reúne glossários explicativos e ilustrações que ajudam a construir uma experiência sensível de aproximação com essas memórias coletivas.
Nas páginas da obra, crianças e jovens personagens atravessam experiências ligadas à oralidade, à ancestralidade e à transmissão de saberes. Em um dos capítulos, o menino Xolani pergunta ao avô o significado de ancestralidade e escuta que ela vive “na forma de falar, nas palavras que usamos, como nos vestimos, o que comemos, como preparamos nossos alimentos”. Já em outra narrativa, a personagem Aline descobre uma África plural ao visitar Zanzibar e conhecer povos, paisagens e tradições muito além das imagens estereotipadas frequentemente associadas ao continente.
Escrito por Antônia Alves, Noly Oliveira e Eliane Boa Morte, o livro tem sua dimensão visual conduzida pela ilustradora Adriana Felicíssimo, que define o processo criativo como “um exercício de escuta e respeito”. Segundo ela, a construção das imagens partiu de uma ampla pesquisa sobre arte africana, tecidos, oralidades e cosmologias.
“Eu compreendia que cada povo trazia consigo uma história, uma estética e uma maneira própria de existir no mundo. Procurei não ‘representar toda a África’, porque isso seria impossível, mas criar encontros visuais inspirados em diferentes territórios”, explica.
Entre as principais referências do trabalho está o livro African Textiles, de John Gillow, utilizado como inspiração para compreender os tecidos africanos como narrativas visuais. Adriana explica que os grafismos, padrões geométricos e cores influenciaram diretamente a composição das páginas: “Os tecidos não apenas vestem corpos, eles contam histórias. Muitas ilustrações nasceram a partir da lógica das estampas, das tramas e das camadas visuais presentes nos tecidos africanos. Era como se cada página também pudesse ser ‘tecida’”.
A artista também incorporou feltros, barbantes e fibras naturais às ilustrações para aproximar as imagens de uma experiência tátil e afetiva: “Eu queria que os leitores sentissem, mesmo visualmente, a vontade de tocar as páginas. Como se cada imagem guardasse calor, textura e memória”, explica.
Ao longo do livro, o baobá aparece como símbolo central da narrativa. Presente em diferentes culturas africanas, a árvore funciona como metáfora de encontro, continuidade e transmissão de saberes. “O baobá foi uma espécie de presença guia durante todo o processo criativo. Ele representa permanência, sabedoria e encontro. Visualmente, tornou-se um símbolo de abrigo, um espaço onde as histórias podem nascer, descansar e continuar crescendo”, diz Adriana.
Além da dimensão estética, a ilustradora afirma que o livro busca romper visões simplificadas sobre o continente africano, especialmente para o público infantil. “Espero que os leitores possam enxergar uma África plural, viva, criativa e profundamente diversa. Desejo que terminem a leitura com mais perguntas do que respostas prontas”, afirma.
O pré-lançamento virtual de Memórias ao redor do Baobá acontece nesta segunda-feira (25), às 19h45, com transmissão online. A programação de lançamento presencial inclui ainda um encontro na Livraria LDM, no dia 7 de agosto, às 17h, e uma atividade na Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, no dia 8 de agosto, durante a programação da Flipelô.



