Dados do IBGE revelam cenário de alta informalidade e rendimentos abaixo da média nacional, pautando o debate econômico para a sucessão estadual

Fonte: Ricardo Filho/Ascom Setre
O 1º de maio na Bahia em 2026 não é dia de celebração protocolar, é dia de encarar uma realidade que o marketing político, de qualquer esfera, não consegue maquiar. Enquanto os discursos de palanque para outubro ganham corpo, os indicadores oficiais gritam o que o trabalhador baiano sente no bolso: nosso estado vive o paradoxo dos recordes que não se traduzem em fartura.
Os números recentes são, à primeira vista, animadores. Salvador consolida-se como o motor do Nordeste, gerando mais de 5,6 mil vagas formais em março e alcançando a marca histórica de 707 mil postos com carteira assinada. No plano estadual, a Bahia celebra a menor taxa de desemprego de sua série histórica, recuando para 8,7% com um contingente recorde de 6,5 milhões de pessoas ocupadas. São vitórias institucionais que não podem ser ignoradas, mas que precisam ser lidas com lupa.
O problema reside no que esses recordes escondem. De acordo com o IBGE, não há como falar em avanço consolidado quando a Bahia ainda detém o segundo pior rendimento médio do país: R$ 2.284. Estamos muito abaixo da média nacional de R$ 3.560. Para milhões de baianos, o trabalho não tem sido uma via de ascensão social, mas um mecanismo de sobrevivência. Em um terço dos nossos municípios, a média salarial sequer atinge o salário mínimo.
A essa baixa remuneração soma-se a fragilidade da informalidade, que ainda castiga 52,8% da nossa força de trabalho. São 3,4 milhões de pessoas sem rede de proteção social, vivendo a incerteza do amanhã em setores como a agropecuária e o comércio de baixa produtividade. Embora a massa salarial tenha atingido recordes, o ganho individual permanece estagnado, revelando que estamos gerando ocupações, mas ainda não estamos gerando riqueza para o trabalhador.
O debate para outubro não pode se resumir a comemorar percentuais de queda no desemprego ou lideranças em rankings regionais. É preciso questionar: como romper o ciclo? O trabalhador não quer apenas ser um número em um release de saldo positivo; ele quer dignidade salarial e segurança. O dia 1º de maio é o lembrete de que, até outubro, o peso do contracheque será muito maior do que qualquer promessa de campanha.



