
A presença de editoras independentes ganhou protagonismo na programação da Bienal do Livro Bahia 2026 com o estande “Compiladas”, iniciativa coletiva que reúne casas editoriais de diferentes regiões do país em um mesmo espaço. A proposta aposta na articulação entre selos diversos para ampliar a visibilidade de catálogos fora do eixo dominante do mercado editorial brasileiro.
Formado por editoras com perfis e linhas editoriais distintas, o “Compiladas” se apresenta como um ponto de encontro entre leitores e produções independentes, promovendo tanto a circulação de obras quanto o contato direto com editores. Para Valéria Pergentino, sócia-editora da Solisluna, a iniciativa tem papel estratégico no fortalecimento do setor. “A iniciativa é extremamente relevante por reunir editoras independentes de várias regiões do Brasil, com perfis diferentes, mas conectadas pela qualidade de seus catálogos. Em um mercado tão concentrado, essa articulação mostra a força do trabalho coletivo”, afirma. Ela destaca ainda o simbolismo de realizar a ação na Bahia: “Para nós, da Solisluna, única editora do Norte e Nordeste no grupo, é especialmente significativo realizar esta edição do Compiladas na Bahia”.

A recepção do público baiano tem sido um dos pontos mais destacados pelos participantes. Segundo Ana Cartaxo, da Tabla, a experiência tem superado expectativas, especialmente pela abertura dos visitantes a novas propostas editoriais. A editora relata que muitos leitores ainda não conheciam o catálogo da casa, mas demonstram interesse ao entrar em contato com os livros. “As pessoas recebem super bem, têm curiosidade. Isso ajuda a gente a seguir”, afirma, ressaltando também o retorno frequente do público ao estande ao longo dos dias do evento.
A dimensão colaborativa do projeto também é apontada como diferencial. Para Julio Silveira, da Editora Ímã, o grupo se fortalece a partir de afinidades entre os participantes. “Nós nos vemos como parceiros, muito antes de nos vermos como concorrentes”, diz. Ele destaca ainda o impacto do contato direto com leitores: “Encontrei aqui leitores que já eram fiéis da editora, que conhecem quase todo o catálogo. Isso dá muita energia para continuar trabalhando”. Silveira também chamou atenção para a diversidade de público, que vai do infantil ao acadêmico.

A experiência do público reforça essa percepção de proximidade e curadoria qualificada no estande. A professora da Universidade Federal da Bahia, Bel Souza, 48, destacou o atendimento como diferencial ao adquirir as obras “Performance do tempo espiralar, poéticas do corpo-tela”, de Leda Maria Martins, publicado pela Editora Cobogó e “Flecha no Tempo”, de Luiz Antônio Simas e Luiz Ruffino, publicado pela Mórula Editorial. “Eu adorei o estande, achei muito bem organizado e principalmente por ter pessoas das editoras que conheciam os livros. Isso facilita para a pessoa comprar”, afirmou. Segundo ela, o diálogo com os editores foi determinante na escolha. “Quem me atendeu conhecia a obra, conversou comigo e deu para ver que sabia do que estava falando. Isso faz toda diferença”, disse, acrescentando ainda que os preços praticados também são atrativos.

No estande, a aproximação entre autores, editoras e leitores tem sido um dos motores da experiência. Orlando Prado, da Editora Nós, destacou a importância desse contato direto, especialmente em uma participação inédita da editora em uma bienal na Bahia. Entre os destaques de vendas, ele cita obras de Mariana Salomão Carrara, Agatha Christie e Virginia Woolf, além de autores contemporâneos do catálogo da casa. “É a primeira vez que a gente assume um estande diretamente aqui e está sendo muito legal. A gente está adorando”, resume.
A avaliação positiva também é compartilhada por Samla Borges, da Editora Dublinense. Segundo ela, os resultados superaram as expectativas iniciais, tanto em vendas quanto na troca com o público. “Para além de números, o contato com os leitores daqui tem sido muito positivo. É muito legal ver como as pessoas se sentem realizadas com a nossa presença”, afirma.

A programação do estande “Compiladas” segue nesta terça-feira (21), feriado de Tiradentes e último dia de Bienal Bahia 2026. Confira as atividades previstas:
DIA 21/4, terça-feira
Arena Farol
13h – ‘Diálogo sobre afeto’, com Carla Akotirene, Renato Nogueira e mediação de Tia Má
Café Literário
16h – ‘A trama e o tempo – Os horizontes da Literatura Brasileira’, com Luciany Aparecida (Apolinária), Bianca Santana (Aziri) e Denise Carrascoza
Espaço Infantil Portais da Palavra
16h20 – ‘Mistério no Mar de Itapuã’, com Thiago Siqueira e as Ganhadeiras de Itapuã



