
A Bienal do Livro da Bahia será palco, nesta terça-feira (21), às 13h, na Arena Farol, do pré-lançamento do novo livro da escritora Carla Akotirene, “Amor Preto” (Civilização Brasileira), que terá sua capa apresentada em primeira mão ao público.
A atividade integra a mesa “Diálogo sobre afeto”, que contará também com a participação do filósofo Renato Nogueira, responsável pelo prefácio da obra, e mediação da jornalista Val Benvindo.
A nova publicação marca mais um aprofundamento de Carla Akotirene em um tema que tem centralidade em sua produção intelectual: as relações afetivas entre pessoas negras. Presente em suas falas públicas, entrevistas, palestras e conteúdos compartilhados nas redes sociais, a discussão sobre amor, cuidado e reciprocidade aparece, em “Amor Preto”, sistematizada a partir de uma perspectiva crítica e afrocentrada, articulando teoria, vivência e espiritualidade.
Reconhecida como uma das principais vozes do pensamento antirracista contemporâneo, Carla Akotirene é autora de obras fundamentais como Interseccionalidade (2019), Ó Paí, Prezada (2020) e É Fragrante Fojado Dôtor Vossa Excelência (2024). Em seu novo livro, a autora desloca o debate para o campo do afeto como dimensão política, propondo uma reflexão sobre os atravessamentos de raça e gênero nas experiências amorosas.
Na obra, já disponível em pré-venda, Akotirene constrói o que define como um “diário de Iyabá”, dialogando com a tradição da escrevivência e evocando o legado de Conceição Evaristo. O livro propõe um caminho voltado ao bem viver da população negra, afirmando o afeto afrocentrado como estratégia de enfrentamento às violências históricas e contemporâneas.
“Uma mulher negra deve saber receber amor. Lembrar-se que Osun dança com as mãos abertas. Uma mulher negra deve cuidar de si. Lembrar-se que Osun cuida das jóias antes de lavar as crianças” , destaca a autora.
A apresentação inédita da capa acontece no contexto da mesa “Diálogo sobre afeto”, que reúne Carla Akotirene e Renato Nogueira em um debate que articula literatura, filosofia e experiências negras contemporâneas. O encontro integra a programação do Coletivo Compiladas, formado por 16 editoras independentes de diferentes regiões do país.
Ao colocar o afeto no centro da reflexão, a mesa reafirma o papel da Bienal do Livro da Bahia como espaço de circulação de ideias e valorização de perspectivas plurais, promovendo discussões que ampliam os horizontes do pensamento crítico no Brasil.



