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Espetáculo infantojuvenil “Fala, Ìbejì” ocupa praças de Salvador com temática afro-brasileira

Foto: Isabela Bugmann

As praças públicas de Salvador seguem recebendo o espetáculo infantojuvenil “Fala, Ìbejì”, que integra o projeto “Dupla de Dois”, realizado pelo COOXIA Coletivo Teatral. Após apresentações no Largo do Papagaio, na Ribeira, e na Arena Pronaica, em Cajazeiras, a montagem chega à Praça São Brás, no Subúrbio Ferroviário, nos dias 1º e 2 de abril, e ao Largo do Campo Grande, no Centro Histórico, entre os dias 4 e 12 de abril.

Com direção de Guilherme Hunder e dramaturgia de Luiz Antônio Sena Jr., a obra dá continuidade a uma pesquisa cênica afrocentrada voltada às infâncias, à tradição oral e às pedagogias do terreiro. O espetáculo reúne elementos do candomblé, da cultura popular nordestina e das celebrações de Cosme e Damião, abordando o sincretismo religioso como estratégia histórica de resistência.

A encenação é bilíngue, ou até trilíngue, ao incorporar português, yorubá e tradução em Libras, que também integra a performance do elenco, formado por Anderson Danttas, Ane Ventura, Fernanda Silva, Gabriel Nafisi e Larissa Libório.

Inspirada em itans da tradição iorubá, a narrativa gira em torno dos Ìbejì, orixás gêmeos. A história se passa na casa da matriarca Mãe Mainha, durante os preparativos para um caruru em homenagem às entidades. A celebração é ameaçada pela chegada da Morte, chamada apenas de “Ela”, cuja presença coloca à prova a união e a coragem das crianças Menino, Menina, Guri e Erê.

Para impedir que a festa seja interrompida, as crianças propõem um desafio: a visitante só poderá permanecer se conseguir dançar até o tambor parar, o que não acontece, já que os irmãos se revezam na batida. A relação com a Morte funciona como metáfora para discutir tradição, memória e continuidade.

A estética do espetáculo dialoga com o universo das feiras populares, consideradas espaços de cultura viva. A cenografia, assinada por Erick Saboya, utiliza elementos como caixotes, panelas e utensílios domésticos, enquanto os figurinos, concebidos por Guilherme Hunder, exploram cores vibrantes e referências ao cotidiano urbano e às tradições populares.

A trilha sonora original, composta por Ray Gouveia, com direção musical dividida com Felipe Pires, mistura ritmos afro-brasileiros, como o samba de terreiro e o uso de atabaques, com influências contemporâneas, a exemplo do pagode baiano e de beats eletrônicos.

O projeto foi contemplado pelo edital Chamadão das Artes Cênicas, com recursos da Fundação Gregório de Mattos, vinculada à Secretaria Municipal de Cultura e Turismo de Salvador.

Serviço
“Fala, Ìbejì”
📍 Praça São Brás (Plataforma)
• 1º de abril, às 15h
• 2 de abril, às 16h

📍 Largo do Campo Grande (Praça Dois de Julho)
• De 4 a 12 de abril
(quintas e sextas, às 15h; sábados e domingos, às 17h)

Entrada gratuita.

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