
Morreu aos 106 anos, no Rio de Janeiro, o Luiz Bangbala, considerado o ogan mais velho do Brasil e referência na preservação das culturas afro-brasileiras. A informação foi confirmada por familiares e por membros de terreiros nos quais ele atuava, gerando homenagens de lideranças religiosas, movimentos sociais e representantes do patrimônio cultural em todo o país. Conforme informações de Agência Brasil, a morte de Luiz ocorreu no último domingo (15) e o sepultamento, nesta terça-feira (17).
Nascido Luiz Ângelo da Silva, em 21 de junho de 1919, em Salvador,Bangbala se destacou ao longo de mais de um século de vida como um dos principais praticantes e guardiões das tradições religiosas de matriz africana em Salvador. O termo ogan refere-se a um homem que exerce funções de liderança religiosa e de execução de cânticos, ritmos e obrigações dentro dos terreiros de candomblé e outras tradições afro-brasileiras.
Ao longo de sua trajetória, Bangbala participou ativamente da preservação de ritmos, toques ancestrais e do conhecimento tradicional, sendo reconhecido tanto pela comunidade religiosa quanto por instituições culturais que promovem o respeito à diversidade religiosa no Brasil. Sua longevidade e dedicação lhe renderam destaque nacional, e seu nome passou a simbolizar a resistência, o compromisso com a ancestralidade e a afirmação da identidade afro-brasileira.
Em notas de pesar nas redes sociais e em pronunciamentos públicos, terreiros e membros da comunidade religiosa afro-brasileira lembraram a trajetória de Bangbala como um “patrimônio vivo” da cultura e da espiritualidade. Lideranças destacaram não apenas sua idade avançada, mas também sua capacidade de transmitir ensinamentos, histórias e práticas que contribuíram para fortalecer demais praticantes e a própria preservação das tradições de matriz africana no país.
Representantes de movimentos de religiosidade afro-brasileira ressaltaram que a morte de Luiz Bangbala representa a partida de uma figura que construiu pontes entre gerações, consolidando um legado de conhecimento, fé e resistência cultural que ultrapassa fronteiras religiosas e regionais.



